Como gastar R$ 500 milhões em algo que já esta pronto? Pergunte a Camargo Correa
Sobre os R$ 500 milhões.
Edemar Tutikian, ligado ao governo Yeda, é o gerente do projeto de revitalização do cais do porto. Ele apresenta um projeto de revitalização orçado em R$ 500 milhões. Como é um custo elevado, a iniciativa privada é chamada para pagar,e como contrapartida, ganha algumas áreas para seu usufruto. Este raciocínio parece bastante razoável, em uma primeira olhada. MAs apenas parece, pois tem coisas nele que não são verdadeiras, nem mesmo razoáveis: a área está pronta, construída por nossos bisavós e nem ao menos um centavo é necessário para embeleza-la mais do que já é. A monumentalidade do píer para o passeio público já esta contruida, e grátis. Os armazéns são tombados, não podem ser melhorados e portanto não pedem qualquer orçamento maior. Se algum empresário privado (Dado Bier) vai transformar algum armazém em um restaurante ou danceteria, se alguém vai explorar o estacionamento, pois que dedique parte da receita para um banco de praça, uma pintura e dois vigilantes privados. Sr Edemar, não há qualquer milhão necessário para o uso público do cais, pois o cais está pronto (a parte para uso público está pronta, porém fechada). O Sr apresenta uma bela solução (a da parceria público privada) para um falso problema (onde conseguir quinhentos milhões). NA verdade, semelhante orçamento, é apenas o ponto necessário,e falso, na equação para justificar o desejo da iniciativa privada de construir espigões privados na orla pública.
Sobre um shoping lacustre praticamente dentro d’água.
Um shoping ao lado do gasômetro (baixo ou alto) trará filiais das casas Bahia e das lojas Marisas para dentro do rio Guaiba, menos de 20 metros. Qual o benefício para o turismo de perder uma praia em benefício de uma nova filial das lojas MArisas? Qual o benefício para as lojas MArisas de ter a filial mais lacustre do mundo, praticamente dentro do rio? Qual o benefício de um shoping dentro do píer para a beleza da cidade? Quem precisa de um shoping em uma área pública? Qual o turista europeu terá interesse em conhecer um shoping provinciano apequenando a beira-rio? Qual a cidade de sucesso entre os turistas abre mão de uma praia, para fazer umas lojas no meio da areia?
Sobre duas torres de escritório imediatamente ao lado do rio.
Não parece estético (sem falar em ecológico) erigir um prédio nas areias de Copacabana. Há em Dubai um imenso hotel flutuante, mas devemos manter-nos longe do delírio: Porto Alegre não é Dubai, nosso senso estético não nos permite esta inovação em todo Brasil, mesmo que seja um prédio de qualquer altura (dois andares). Além de uma agressão arquitetônica, um prédio no meio do píer, atravancando o passeio, é um monumento a cobiça predatória da especulação imobiliária. A simples presença de um espigão não valoriza nenhuma área, existem prédios de atividades degradadas que mais aviltam que enobrecem seu entorno.
A revitalização é importante para atrair turistas.
O presidente do Porto Alegre Convention & Visitors Bureau, Sr Ricardo Ritter, acha que o projeto pode transformar o porto no maior ponto turístico de Porto Alegre. Seguramente esta correto, mas não será a presença de um shoping no meio do passeio, ou de duas torres de escritórios que farão franceses e dinamarqueses cruzarem o oceano para conhecer Porto Alegre. Nova York não ganhou mais turistas fazendo hotéis dentro do Central Park. Ter ou não hotel, shoping ou escritórios não fazem da região mais ou menos turística. Escritórios dentro do oceano, ou nas areias de Copacabana, não ajudaram o Rio de Janeiro na vitória para ser sede olímpica. Simplesmente a área é pública e nobre demais para a construção de hotéis e shopings, que não ganham nada com esta localização. Um novo shoping e um novo hotel terão diversos endereços em toda a cidade, não necessitam ser feitos no meio de um espaço que melhor estaria empregado sendo um passeio público.
A área como necessária para preparar a cidade para a Copa do mundo.
A copa do mundo será no inverno de Porto Alegre. O cais é a região mais inóspita no inverno, varrida por minuano, cheias e uma paisagem desoladora. Investir na orla para a Copa não parece inteligente. A área deve atrair turistas em outras épocas, e principalmente portoalegrenses, que também precisam de áreas de lazer.
Empreendimentos ajudariam a manter o local movimentado, mesmo durante a noite.
Duas torres de escritórios seguramente não trarão movimento de noite. Uma área análoga, os entornos do gasômetro, vai se tornando pequena para o afluxo de pessoas, que por ali permanecem mesmo depois do por do sol. Nos finais de semana de calor, o quantidade de pessoas é tanta, que a verdadeira questão parece ser bem o oposto: como ter menos pessoas na região. O movimento de noite também parece ser um falso problema. Ninguém discute o sucesso de uso do parcão, mesmo que durante a noite este uso acabe. Não há, e com a atual conjuntura não parece que haverá tão logo, qualquer espaço público de tranqüilidade contra a violência urbana. E além do mais, as diversas atividades privadas que o projeto prevê, em nada garantem maior segurança. Com ou sem torres de escritório, a Julio de Castilho é insegura, assaltos ocorrem defronte ao Plaza São Rafael nos dias de hoje e ao lado do shoping Praia de Belas não há mais segurança, mesmo o contrário.
A presença da construtora Camargo Correa no projeto de revitalização
A Construtora Camargo Correa esta sendo investigada na operação da policia federal Castelo de areia pela participação em financiamentos não declarados dos partidos que defendem o projeto de revitalização do cais do porto (http://noticias.uol.com.br/politica/2009/03/25/ult5773u890.jhtm) , nomeadamente PSDB, PMDB, DEM, PP, PPS, PSB e PDT. Esta empreiteira é a mesma envolvida no buraco do metro de São Paulo, estação pinheiros, que afundou tragando vidas e casas. Qual a segurança que temos sobre os compromissos de nossos vereadores, da governadora e do prefeito com os interesses do bem comum, tendo a Camargo Correa por trás? Qual o grau de qualidade de um empresa que produz uma cratera para fazer um edifício flutuante? Não há o risco de desmoronar o porto e tragar a rodoviária, o gasômetro?
Há uma pesquisa referida em ZH de 5/9/9 mosntrando ampla aprovação
A reportagem mostrando pesquisa com 80% de aprovação ao projeto, não cita quem financia a pesquisa. Não fala o nome dos responsáveis pela sua realização, quantas pessoas foram escutadas, qual o desvio padrão. Curiosamente, se colocarmos no google as palavras "CEPA", "UFRGS" (entidades referidaas como agentes da pesquisa) e "CAis", ou qualquer outra palavra chave sobre o cais maua, não há qualquer referência a esta pesquisa (salvo a matéria da Zero Hora). Seguramente o sr Maicon Bock, reporter de ZH, plantou um factóide imaginário, que não teve qualquer divulgação além da sua matéria, simplesmente pois nunca existiu. Evidentemente que - como no caso do pontal- os infográficos e maquetes estão fora de escala, mostrando um cenário de cinema, que contudo nada guardam de conexão com o real, sendo uma peça de publicidade mentirosa: mentirosa pois a pesquisa é falsa, mentirosa pois os desenhos contam dimensões e escalas muito mais gentis que as da realidade. No caso desta matéria, nem o desenho dos prédios privados sobre o desenho do cais foi vinculado, mostrando um certo pudor dos propagandistas do projeto em ao menos no desenho simular a aberração que desejam vender.
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