Cais Maua

Em defesa de uma parceria público privada em que o que seja público siga-o, e o que é da privada, siga-a!

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sábado, 10 de setembro de 2011

Podemos um Cais com Paisagismo, Público e Barato, um parque Cais!


Os 18 motivos para abortarmos essa revitalização a la Yeda do cais Maua de Porto Alegre.

1)Praça Johan Peter Gerdau- Quanto a venda da área ao lado do gasômetro renderia para o restauro dos armazéns do cais? Pois, fazendo da área uma praça, e não vendendo para fazer um shopping, poderíamos arrecadar o mesmo valor, com o patrocínio da indústria, como a Gerdau. Essa empresa por exemplo, já ajudou a cidade no museu Ibere, nas Bienais. Do ponto de vista da restauração, o dinheiro é o mesmo. Do ponto de vista do turismo, um largo, por exemplo “Largo Johan Peter Gerdau”, é mais atrativo ao turista do que um shopping de província, um camelódromo fechado.
2) A cidade, nos finais de semana, tem pouco espaço de praças públicas. As 3 ou 4 praças que dispomos estão lotadas, com muita gente, pois nossa população cresceu muito. Simplesmente não podemos dar para as construtoras uma área que a nossa população precisa.
3)Se o destino principal do cais é atrair o turista, o que seria de fato "atração" para o turista? um largo com árvores público na orla, ou um shopping igual ao que tem em qualquer parte, 3 espigões de escritório? Imagine você tendo que levar um turista para ver a cidade, o que seria de fato atraente? Mostrar torres de escritório e um shopping, ou uma bienal de arte em um píer aberto? Caminhar no píer público, ou errar por corredores de um supermercado escuro?
4)”O projeto Yeda de revitalização trará desenvolvimento, empregos, movimento”: pois são critérios relativos. O parcão não gera nada disso e é muito necessário para a cidade. Também valorizou muito o bairro que o envolve. O shopping Total pouco valorizou os imóveis no seu entorno, já a praça da Encol agregou valor ao seu entorno.
5) O cais está abandonado: sim, de atividades econômicas, mas não culturais. Atualmente, o cais é muito útil para Bienal, para a feira do livro, como centro de eventos, muitos deles culturais. A discussão sobre a exceção cultural cabe neste sentido: de fato a cultura, ao contrário de um hotel ou um shopping, não gera tanta renda. Mas o Museu de Arte Contemporânea, A Ospa, A bienal, A Feira do Livro estão hoje no cais, irão para onde quando os vendilhões chegarem com seus espelhos de matéria plástica?
6)Os custos de restauro serão muito altos: esse argumento é um falácia. Por que os custos de restauro são altos, que cálculo desonesto foi feito? Como podem ser altos se o mais importante, o pier e o largo monumental, bem como o rio e o sol, e também o estacionamento, e até o cercamento, já estão prontos?
7)O estado não tem dinheiro para o restauro:  a função do cais de centro de eventos é muito útil para Porto alegre, para a cultura. Eventos são atividades rentáveis, que podem fazer os custos de manutenção do cais se pagarem. A iniciativa privada, sem ganhar por isso um terreno na orla, pode ajudar como fez sempre (São Pedro, Ibere, praças, Bienal, etc...). A reforma pode ser mais modesta, sem duvidosas fontes no muro da Mauá,  show de fontes luminosas e quantas outra atrações que são desnecessárias para embelezar o que já é bonito por natureza.
8) Um estado que não pode colocar um lampião e dois bancos em um largo público, de fato é um estado que serve para que? Sem entrar no que se paga de tributos, qual o sentido de um estado que se declara incapaz de pintar alguns armazéns? O estado incapaz é um argumento incoerente com os crescimentos de arrecadação, incoerente com o discurso do planalto de economia emergente, do que se vê de capacidade do BNDES de ajudar empresários. É um argumento de outro tempo.
9) Se hoje o cais é público, já pertence a população, é impossível que deixe de ser público sem um plebiscito. Direito de propriedade é algo importante, e parece lógico que apenas os donos possam diretamente autorizar uma desistência deste direito. Os vereadores não possuem mais direito que a população da cidade de decidir sobre o direito a propriedade do povo sobre a região. Votar em um vereador não lhe dá o direito de decidir sobre a propriedade do povo sobre uma área: o verador eleito pelo cidadão não  pode decidir sobre o direito do cidadão a sua casa particular. A representatividade tem limites. Um senado não podevotar uma lei que traga ameaça a mudança climática e integridade física da populção. São poderes além dos delegados ao representante.
10) O estado tomado pelo interesse do capital. É evidente que o capital, e portanto a RBS, estão favoráveis a revitalização a la Yeda. Tornar parte da área privada é do interesse do capital, mas não da população, quando a área deixa de ser pública. Um plebiscito pode confirmar o que a população pensa do projeto Yeda. O último plebiscito, sobre o Estaleiro Só, já foi bem ilustrativo sobre o que a população acha, com 80% de contrariedade aos desejos das construtoras. Contudo os políticos não tomam qualquer iniciativa de contrariar o projeto de revitalização em curso. É curioso que os representantes do povo, em um conflito que oponha povo e capital, tomem o partido do capital, em contra ao partido do povo. Essa vinheta nos fala muito sobre a falsidade da democracia em que vivemos, simplesmente a democracia não é real: os políticos não representam o povo, e sim o capital. Esse é a conclusão sobre José Fogaça e sobre os vereadores, salvo dois do PT e o PSOL. Mas não sobre Tarso, que tem uma postura um pouco diferente.
11) Tarso obviamente é contrário a essa imoralidade, e tem feito de tudo para divulgar oficialmente seu apoio ao projeto Yeda de revitalização, e na prática tranca para que ele não se realize. Ou para que venha 2012, o ano eleitoral em que essa parceria público privada, (ou "parceria caracu", aquela em que o público entra com as perdas, e o privado com os ganhos)será assunto nos debates. Tarso pode ser um bom aliado de quem esta contra o projeto de revitalização a La Yeda, mas ele só vai ir contra o modelo absurdo em curso com o apoio da sociedade civil, que não tem se manifestado. Precisamos de movimento da sociedade civil para fortalecer dentro do governo Tarso o movimento do plebiscito. Plebiscito cala o argumento dos idealizadores da revitalização a La Yeda de que existe consenso em torno de lotear o cais. Se existe consenso, por que não um plebiscito que o comprove? Os idealizadores dessa revitalização privatistas sabem que a cidade não votaria por um supermercado Zaffari ao lado do gasômetro.
12)O trânsito no centro. O projeto Yeda não é compatível com a idéia atual de descentralizar o movimento no centro. Os engarrafamentos estão se tornando uma crise, e mais prédios (mais ainda se forem de 50 ou 60 andares) e shopping estão bem pensados fora do centro.
13) É preciso um projeto que garanta movimento dia e noite no cais, esse é um dos critérios de um bom projeto. Este é um argumento discutível. Existem espaços urbanos que de fato estão abandonados de noite ou durante a semana, mas são muito úteis no final de semana, como podemos ver na lateral já entregue a população do gasômetro. O parcão pode não ter qualquer movimento de noite, neste sentido não é um espaço comercial, mas nem todo espaço importante da cidade é comercial. Uma praia, como Ipanema, cresceu muito em beleza e utilidade para a população justamente com a expulsão dos bares da areia. Fazer um shopping na orla não é juridicamente coerente com a retirada do bar Timbuca, ou da vila Tronco, de outros espaços da orla do Guaiba.
14) O cais e a copa. O cais não tem qualquer utilidade para a copa, que será feita no inverno, ocasião em que ninguém se animaria usa-lo para passear. Espigões também pouca atração agregariam para a copa, e hotéis de categoria internacional podem ser feitos em qualquer terreno da cidade, não necessariamente na nossa orla.
15) Imensas paredes espelhadas prejudicariam as aves migratórias que diariamente cruzam o parque das ilhas, tem um impacto ambiental não desprezível.
16) Um shopping ao lado do cais traria para os armazéns um público diferente do que vem para usar produtos culturais, como já é hoje. O público de shopping não é o mesmo da OSPA, do MAC, da Bienal, da Feira do Livro. Além disso já temos shoppings em todos os cantos da cidade, não precisamos uma cidade reduzida a apenas shoppings, outras atividades além de compra e venda são importantes. Local para eventos náuticos (como as antigas corridas de remo), pistas para ciclismo e para corrida, área para sol são possibilidades para o local ao lado do gasômetro. Em Paris, a municipalidade arma uma praia artificial no rio Sena que poderia ser um modelo para esse local.
17) O projeto em curso é feio. As maquetes não respeitam escala real, e mesmo assim é feio. Trenzinhos, paredes com cascatas, chafariz dentro do rio, tudo para conquistar a adesão e sem compromisso com o bom gosto, com a monumentalidade. Um jardim botânico em cada ponta do cais seria mais bonitos que espigões e shopping.
18) a área ao lado do gasômetro é muito bonita, não devemos entrega-la para um destino tão prosaíco como um shopping privado. Precisamos convencer os favoráveis ao shopping que vida também é esporte, natureza, integração, não apenas compras. Veja fotos do local em https://picasaweb.google.com/108029494178014146604/CaisFotos e ajude a pedir aos seus amigos oposição a este projeto fora de propósito.
19 Precisavamos de um estadista que fizesse uma floresta pública de Ipanema até a ponte do Guaíba, destruindo construções e clubes e devolvendo a população a orla. Como infelizmente ainda não temos esta figura, precisamos nós mesmo lutarmos por menos especulação imobiliária dentro de áreas que ainda são nossas, que ainda são públicas.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O brete político em que a ZH colocou Tarso no tema do Cais

 
Nas noites de chuva, um fantasma político ronda o Palácio Piratini

              
O brete político em que a ZH colocou Tarso no tema do Cais
Para não demonstrar inabilidade política de saída e perder investimentos, como o governo Olívio com a Ford, o que Tarso precisa fazer com o projeto de revitalização do Cais?

            Sob pena de botar a perder os investidores, o governador Tarso não pode correr o risco do enorme ônus de prejuízo político de se mostrar retrógado e petetosco com o capital investidor: deve logo entregar todas as meninas virgens para a prostituição. A prostituição gera empregos, traz europeus ricos para o turismo sexual, é uma desagradável mas inevitável necessidade, é uma proposta extremamente moderna. Não podemos deixar nossas crianças sem utilidade econômica, abandonadas, precisamos “revitalizar” a sexualidade delas, que esta sendo muito mal aproveitada, afinal um pedófilo paga qualquer coisa por uma criança brasileira. O sistema de entrega dos menores será uma inovação: será o moderno sistema de parceria público-privada, sendo que a iniciativa privada entra com o capital e o público com as crianças, e a palavra “parceria” vem da noção do afeto, inevitável nestes enlaces amorosos. Não devemos nos enganar: o que realmente o turista da copa esta querendo vindo ao Brasil é a prostituição, e temos que nos render – pelo pragmatismo- aos novos costumes que o dinheiro impõe. Como Tarso representa uma visão um pouco mais antiga, é provável que esteja com alguma anacrônica dúvida sobre o projeto, não iria admirar nada que este vacilo do governador afugentasse para a Bahia investidores ávidos de construir dinâmicos lupanares de menores.
       Ao aceitar projetos como entregar áreas públicas para construção de shopings e edifícios, tendo em troca um aluguel de duas lojas no Moinhos de Vento, o governador poderia também dar continuidade a outras ações do governo Yeda: por exemplo, poderia em nome da realpolitik, aceitar uma mansão também, pois não podemos deter as novas práticas. A espionagem dos dados policiais de militares e um rol grande de inovações poderiam ser continuadas.
       Contudo Tarso não é continuidade do governo Yeda. Ao ser eleito, foi eleita também a discordância. Neste sentido, esperamos que Tarso abandone a noção que “dar lucro” é um valor único, acima e isolado de outros valores. Pela pauta de valores anterior, superada pelo voto, parece que ser “rentável” é um valor auto-explicável e em certa medida único. Por que não entregar área pública, de forte vocação para o turismo, para um parque e para a cultura, para se fazer um shoping? Pressuposto desta "noção de mundo" é: cultura, árvore e passeio público para o turista (como o aterro do Flamengo, ou a calçada de Copacabana) são sem uso financeiro, portanto são "sem vida". Um shoping gera receita ao estado, empregos, portanto é o retorno da vida, vida "econômica" bem entendido.
       A proposta superada pelo voto, de Yeda, tem o lucro amoral como único valor. É neste sentido que a prostituição infantil é um exemplo algo extremo, mas categoricamente de mesma lógica: o lucro sem noção, o lucro sobre a ética. Outros exemplos de lucro sem sentido: a) montar uma firma de excursão para presos políticos na Argentina, já que a passagem de volta é lucro da empresa. B) vender o SUS: exemplo de algo caro, que o estado não tem conseguido cuidar, que esta abandonado, que seguramente vai encontrar um banco que deseje investir, e que combina bem com termos como “revitalização”. C) lotear o parcão: um hotel internacional é algo que Porto Alegre precisa, não vão faltar investidores que queiram torres de escritório no ponto mais nobre da cidade, nem falar em shoping. De noite o local é abandonado, o ajardinamento esta meio caído, e salvo um ou outro vendedor de pipocas, é um espaço de desemprego, atrasado, em que o estado apenas põe dinheiro, sem nada tirar (dinheiro este que obviamente falta da merenda escolar, do remédio dos velhinhos). É certo comprar ração de pato e de tartaruga com o dinheiro dos antibióticos dos mais carentes?
       Os exemplos de que o lucro pode ser um mal valor único poderiam se seguir, da venda de sabonetes dos campos de concentração, até as madeiras da nossa construção civil vindas da Amazônia.
       Contudo, independentemente de ser um falso brete, em política as coisas não são exatamente filosóficas, muito são aproveitamentos, sempre são “como fica para as pessoas”. A grande imprensa local preparou esta arapuca política para Tarso: se ficar pelo projeto de revitalização do lucro com o cais, será denominado de pragmático e moderno. Se ficar pela cultura, contra o arrendamento de terrenos para espigões privados, será rotulado de inábil, de pessoa que não dá continuidade as boas idéias dos governos anteriores, será assustado com o fantasma de ter mandado correr investidores.
       Portanto o governador só tem uma saída para exorcizar a arapuca política do cais: pedir um referendo da população com dois itens: vote 1 para cais cultural/público/arborizado e para o turismo. E vote dois para um cais capitalista/privado/centrado no automóvel, na venda de produtos, nos usos dos investidores. Um plebiscito por uma das duas revitalizações: ou pela revitalização Louis Vuitton, ou pela revitalização ao estilo do Teatro São Pedro, uma revitalização cidadã. E os diretores da Zero Hora terão apenas o direito a um voto único cada. Escapa do brete, e seguramente escapa da revitalização Modelo Yeda, pois como se viu no caso do pontal do Estaleiro Só, um percentual de 80% da população não gosta de apenas a lógica do lucro dar as cartas no tema do urbanismo.
 

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