Cais Maua

Em defesa de uma parceria público privada em que o que seja público siga-o, e o que é da privada, siga-a!

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sábado, 10 de setembro de 2011

Podemos um Cais com Paisagismo, Público e Barato, um parque Cais!


Os 18 motivos para abortarmos essa revitalização a la Yeda do cais Maua de Porto Alegre.

1)Praça Johan Peter Gerdau- Quanto a venda da área ao lado do gasômetro renderia para o restauro dos armazéns do cais? Pois, fazendo da área uma praça, e não vendendo para fazer um shopping, poderíamos arrecadar o mesmo valor, com o patrocínio da indústria, como a Gerdau. Essa empresa por exemplo, já ajudou a cidade no museu Ibere, nas Bienais. Do ponto de vista da restauração, o dinheiro é o mesmo. Do ponto de vista do turismo, um largo, por exemplo “Largo Johan Peter Gerdau”, é mais atrativo ao turista do que um shopping de província, um camelódromo fechado.
2) A cidade, nos finais de semana, tem pouco espaço de praças públicas. As 3 ou 4 praças que dispomos estão lotadas, com muita gente, pois nossa população cresceu muito. Simplesmente não podemos dar para as construtoras uma área que a nossa população precisa.
3)Se o destino principal do cais é atrair o turista, o que seria de fato "atração" para o turista? um largo com árvores público na orla, ou um shopping igual ao que tem em qualquer parte, 3 espigões de escritório? Imagine você tendo que levar um turista para ver a cidade, o que seria de fato atraente? Mostrar torres de escritório e um shopping, ou uma bienal de arte em um píer aberto? Caminhar no píer público, ou errar por corredores de um supermercado escuro?
4)”O projeto Yeda de revitalização trará desenvolvimento, empregos, movimento”: pois são critérios relativos. O parcão não gera nada disso e é muito necessário para a cidade. Também valorizou muito o bairro que o envolve. O shopping Total pouco valorizou os imóveis no seu entorno, já a praça da Encol agregou valor ao seu entorno.
5) O cais está abandonado: sim, de atividades econômicas, mas não culturais. Atualmente, o cais é muito útil para Bienal, para a feira do livro, como centro de eventos, muitos deles culturais. A discussão sobre a exceção cultural cabe neste sentido: de fato a cultura, ao contrário de um hotel ou um shopping, não gera tanta renda. Mas o Museu de Arte Contemporânea, A Ospa, A bienal, A Feira do Livro estão hoje no cais, irão para onde quando os vendilhões chegarem com seus espelhos de matéria plástica?
6)Os custos de restauro serão muito altos: esse argumento é um falácia. Por que os custos de restauro são altos, que cálculo desonesto foi feito? Como podem ser altos se o mais importante, o pier e o largo monumental, bem como o rio e o sol, e também o estacionamento, e até o cercamento, já estão prontos?
7)O estado não tem dinheiro para o restauro:  a função do cais de centro de eventos é muito útil para Porto alegre, para a cultura. Eventos são atividades rentáveis, que podem fazer os custos de manutenção do cais se pagarem. A iniciativa privada, sem ganhar por isso um terreno na orla, pode ajudar como fez sempre (São Pedro, Ibere, praças, Bienal, etc...). A reforma pode ser mais modesta, sem duvidosas fontes no muro da Mauá,  show de fontes luminosas e quantas outra atrações que são desnecessárias para embelezar o que já é bonito por natureza.
8) Um estado que não pode colocar um lampião e dois bancos em um largo público, de fato é um estado que serve para que? Sem entrar no que se paga de tributos, qual o sentido de um estado que se declara incapaz de pintar alguns armazéns? O estado incapaz é um argumento incoerente com os crescimentos de arrecadação, incoerente com o discurso do planalto de economia emergente, do que se vê de capacidade do BNDES de ajudar empresários. É um argumento de outro tempo.
9) Se hoje o cais é público, já pertence a população, é impossível que deixe de ser público sem um plebiscito. Direito de propriedade é algo importante, e parece lógico que apenas os donos possam diretamente autorizar uma desistência deste direito. Os vereadores não possuem mais direito que a população da cidade de decidir sobre o direito a propriedade do povo sobre a região. Votar em um vereador não lhe dá o direito de decidir sobre a propriedade do povo sobre uma área: o verador eleito pelo cidadão não  pode decidir sobre o direito do cidadão a sua casa particular. A representatividade tem limites. Um senado não podevotar uma lei que traga ameaça a mudança climática e integridade física da populção. São poderes além dos delegados ao representante.
10) O estado tomado pelo interesse do capital. É evidente que o capital, e portanto a RBS, estão favoráveis a revitalização a la Yeda. Tornar parte da área privada é do interesse do capital, mas não da população, quando a área deixa de ser pública. Um plebiscito pode confirmar o que a população pensa do projeto Yeda. O último plebiscito, sobre o Estaleiro Só, já foi bem ilustrativo sobre o que a população acha, com 80% de contrariedade aos desejos das construtoras. Contudo os políticos não tomam qualquer iniciativa de contrariar o projeto de revitalização em curso. É curioso que os representantes do povo, em um conflito que oponha povo e capital, tomem o partido do capital, em contra ao partido do povo. Essa vinheta nos fala muito sobre a falsidade da democracia em que vivemos, simplesmente a democracia não é real: os políticos não representam o povo, e sim o capital. Esse é a conclusão sobre José Fogaça e sobre os vereadores, salvo dois do PT e o PSOL. Mas não sobre Tarso, que tem uma postura um pouco diferente.
11) Tarso obviamente é contrário a essa imoralidade, e tem feito de tudo para divulgar oficialmente seu apoio ao projeto Yeda de revitalização, e na prática tranca para que ele não se realize. Ou para que venha 2012, o ano eleitoral em que essa parceria público privada, (ou "parceria caracu", aquela em que o público entra com as perdas, e o privado com os ganhos)será assunto nos debates. Tarso pode ser um bom aliado de quem esta contra o projeto de revitalização a La Yeda, mas ele só vai ir contra o modelo absurdo em curso com o apoio da sociedade civil, que não tem se manifestado. Precisamos de movimento da sociedade civil para fortalecer dentro do governo Tarso o movimento do plebiscito. Plebiscito cala o argumento dos idealizadores da revitalização a La Yeda de que existe consenso em torno de lotear o cais. Se existe consenso, por que não um plebiscito que o comprove? Os idealizadores dessa revitalização privatistas sabem que a cidade não votaria por um supermercado Zaffari ao lado do gasômetro.
12)O trânsito no centro. O projeto Yeda não é compatível com a idéia atual de descentralizar o movimento no centro. Os engarrafamentos estão se tornando uma crise, e mais prédios (mais ainda se forem de 50 ou 60 andares) e shopping estão bem pensados fora do centro.
13) É preciso um projeto que garanta movimento dia e noite no cais, esse é um dos critérios de um bom projeto. Este é um argumento discutível. Existem espaços urbanos que de fato estão abandonados de noite ou durante a semana, mas são muito úteis no final de semana, como podemos ver na lateral já entregue a população do gasômetro. O parcão pode não ter qualquer movimento de noite, neste sentido não é um espaço comercial, mas nem todo espaço importante da cidade é comercial. Uma praia, como Ipanema, cresceu muito em beleza e utilidade para a população justamente com a expulsão dos bares da areia. Fazer um shopping na orla não é juridicamente coerente com a retirada do bar Timbuca, ou da vila Tronco, de outros espaços da orla do Guaiba.
14) O cais e a copa. O cais não tem qualquer utilidade para a copa, que será feita no inverno, ocasião em que ninguém se animaria usa-lo para passear. Espigões também pouca atração agregariam para a copa, e hotéis de categoria internacional podem ser feitos em qualquer terreno da cidade, não necessariamente na nossa orla.
15) Imensas paredes espelhadas prejudicariam as aves migratórias que diariamente cruzam o parque das ilhas, tem um impacto ambiental não desprezível.
16) Um shopping ao lado do cais traria para os armazéns um público diferente do que vem para usar produtos culturais, como já é hoje. O público de shopping não é o mesmo da OSPA, do MAC, da Bienal, da Feira do Livro. Além disso já temos shoppings em todos os cantos da cidade, não precisamos uma cidade reduzida a apenas shoppings, outras atividades além de compra e venda são importantes. Local para eventos náuticos (como as antigas corridas de remo), pistas para ciclismo e para corrida, área para sol são possibilidades para o local ao lado do gasômetro. Em Paris, a municipalidade arma uma praia artificial no rio Sena que poderia ser um modelo para esse local.
17) O projeto em curso é feio. As maquetes não respeitam escala real, e mesmo assim é feio. Trenzinhos, paredes com cascatas, chafariz dentro do rio, tudo para conquistar a adesão e sem compromisso com o bom gosto, com a monumentalidade. Um jardim botânico em cada ponta do cais seria mais bonitos que espigões e shopping.
18) a área ao lado do gasômetro é muito bonita, não devemos entrega-la para um destino tão prosaíco como um shopping privado. Precisamos convencer os favoráveis ao shopping que vida também é esporte, natureza, integração, não apenas compras. Veja fotos do local em https://picasaweb.google.com/108029494178014146604/CaisFotos e ajude a pedir aos seus amigos oposição a este projeto fora de propósito.
19 Precisavamos de um estadista que fizesse uma floresta pública de Ipanema até a ponte do Guaíba, destruindo construções e clubes e devolvendo a população a orla. Como infelizmente ainda não temos esta figura, precisamos nós mesmo lutarmos por menos especulação imobiliária dentro de áreas que ainda são nossas, que ainda são públicas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tudo o que não podemos permitir que seja tirado de nós pelos políticos inescrupulosos

O terreno ao lado do Gasômetro precisa de um passeio, não de um Zaffari

A Praça Brigadeiro Samapaio abriga meninas jogando taco na sombra

A luta contra a entrega do espaço público é de todos: uma outra revitalização é possível
Neste espaço, cabe a praça dos onibus, cabe uma rotatória pra resolver o transito da chegada na rodoviária, cabe uma praça, cabe até um Jardim botânico, cabe qualquer boa ideia: não cabem duas torres de negócios.



O espaço ao lado do gasômetro seria de uma nova loja das casas Bahia, ou seria melhor para o usufruto do povo de Porto Alegre?

Não concordamos com o patrolamento do Museu do Trabalho!

Pessoas e seus animais na praça que viraria parking para carros

O atual entorno do gasômetro se faz pequeno para o número de pessoas em um final de semana qualquer. Não poderia ser aumentado para o outro lado do gasômetro também?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Uma fábula de dinheiro, mentiras e urbanismo padrão Alvorada, mas com final feliz


A CHEGADA DA PROPOSTA ASSOMBROSA Em uma fábula hipotética, um grupo de força econômica chega de Zeppelin a Porto Alegre e faz a seguinte proposta:

a) a Usina do Gasômetro deixa de ser um centro de eventos, de caráter público, e vira um enorme camelódromo privado, com a estética final muito parecida com o atual camelódromo que já existente na Júlio de Castilhos.

b) Ao lado do gasômetro, em local que anteriormente se falou em fazer uma marina para barcos à vela, é feito mais um shoping destes de estética de camelódromo, um mercado árabe, com pequenas banquinhas como no centro de Capão da Canoa. A aparência final da área fica como a do centro de Alvorada ou de Cachoerinha. Os turistas entediados fogem deste shoping gasômetro provinciano, pequeno, amesquinhado, igual a qualquer outro do mundo, preferindo ficar no hotel vendo TV. A maior parte nem vem para Porto Alegre, preferindo outras capitais do pais com orla mais bonita. O trânsito da Mauá, deverá para em caráter definitivo. O espaço hoje público e aberto se torna uma feira hippe com um teto de laje.

c) A pequena e simpática praça defronte a usina do gasômetro, com sua fileira de figueiras bravas, deixa de ser uma praça, deixa de ser pública, deixa de ter figueiras, é lajeada, e é transformada no teto de um parking enorme para carros, também sendo englobada pelo tal shoping, seguramente o maior shoping da cidade. O museu do Trabalho é derrubado em benefício deste shoping Mauá, especializado em muamba do Paraguai, brinquedos chineses e raízes de ervas.

d) O Museu de Arte contemporânea é despejado do cais, bem como as bienais de arte moderna. Provavelmente também a feira do livro (pois em que pesem os desmentidos primeiros, é pouco provável que a filial de restaurantes e universidades feche por 2 ou 3 semanas para a realização da feira). Os armazéns, que hoje servem muito bem como centro de eventos, muitos deste eventos de natureza cultural, perderão esta função. Nos armazéns, barzinhos pés sujo com cadeiras de metal com logos de cerveja, servirão pastéis, não mais cultura.  Turistas amedrontados, e habitantes da cidade, passam a ter dificuldade de andar no meio da rafuagem, de noite a aparência do local  é a que hoje temos na Salgado Filho.

e) Uma parte importante da área é tomada por estacionamentos de carro, de lucro privado, e estética duvidosa. Carros estarão estacionados dentro do passeio, impedindo a caminhada. Um mar de carros estacionados vai impedir qualquer uso para o turismo, impedir qualquer plantação de árvores no local. No lugar que poderíamos ter um Parcão, teremos um parking de carros mais ou menso como o que tem defronte ao shoping Barra. O pier corre o risco de virar um parking para estacionamento do centro.

f) Na outra ponta dos armazéns, nas imediações da rodoviária, na área onde existe ampla área livre, hoje pública, local onde bem caberia um imenso parque de amplo uso para o turismo e para a arborização, são construidas duas ou três torres de 50 andares. As torres são de escritórios, dentro do rio, como se faltassem áreas na cidade para torres de escritórios. A área deixa de ser pública, pois os escritórios serão privados. Com o entorno pesado, a decadência é então fulminante, quase imediata, ampliando o clima da avenida Júlio de Castilhos até o local, com advogados mal afamados e pontos de compra de cabelos locando as salas. Um clima de imensa galeria do Rosário em breve toma conta dos dois prédios, que em poucas décadas vira um local exclusivamente para a prostituição.

g) O projeto todo é apresentado como custando diversos milhões, já que construir torres de escritórios e fazer shopings é de fato algo caro. Não é detalhado na proposta, contudo, o quanto do dinheiro vai para “arrumar” os armazéns ( ou seja, o quanto vai para a finalidade “pública” da área), e o quanto vai para o fim de fazer diversas obras privadas. Não esta na proposta qualquer referência a como os citados milhões devem ser gastos, se em lustres para o prédio privado, ou arbustos para a porção pública do negócio, ou em comissão para os gestores públicos entusiasmados com a coisa toda. Fala-se em R$ 500 milhões, ainda que seja curioso gastar 100 mil reais que sejam em área que já esta pronta como centro de eventos, inclusive já esta até murada. Pela proposta, a cidade de Porto Alegre, entrega em doação a estes senhores, quase todos estrangeiros, a maior parte desconhecidos, 18 hectares, ao lado do rio, na área mais nobre da cidade com sérias perdas para o uso turístico da área.
h) Em um resumo, a proposta é vocionada as mascatismo, é uma proposta neste sentido mercantil, por atender necessidades de vendas, atende bem automóveis e torres de negócios. Não amarra qualquer compromisso dos autodenominados "investidores" com "melhorias", apenas detalahs os ganhos privados. Portanto é uma Parceria Privada-privada, uma case único para o estudo no capitalismo. Pela propostas os "investidores" detalham o que eles ganham, mas há uma falha em detalahr o que farão para a cidade em troca. salvo irrigar ineterruptamente o muro, algo antiecológico. Pela proposta, apenas estão detalhadas quais aparelhos culturais hoje existentes (Bienal, centro de eventos no cais, Usina do Gasômetro, Museu de arte contemporânea, Museu do Trabalho, Praça Brigadeiro Sampaio, Feira do Livro no cais) serão desmontados.

 O FINAL FELIZ Contudo felizmente, a fábula tem um final feliz. O povo impressionado com a falta de sentido, gosto e bom senso do tema, se une e promove ampla resistência. O governo eleito decide convocar um plebiscito, ou referendo: seja para votar sim ou não para este projeto que ai esta, seja mesmo para votar entre meia dúzia de outros projetos urbanísticos diferentes, melhores, menos agressivos para a cultura, mais cidadinos, mais públicos, mais culturais e mais estéticos. A Dna Eva Sopher é convidada para presidir uma fundação de revitalização cultural, o “centro de Eventos Culturais Cais do Porto”, nos moldes da Fundação Teatro São Pedro. A manutenção financeira dos Armazéns será muito bem conseguida com a renda dos ingressos de eventos, feiras, bienais. Será bem conseguida com a locação dos armazéns para congressos e como centro de eventos, inclusive privados (feiras de tecnologia, da indústria, congressos médicos). A iniciativa privada é bem vinda, assim como a Pepsi tem mantido a orla do Marinha, assim como construiu o Museu Ibere Camargo, a ajudar na manutenção. Toda a região que vai da ponte do rio Guaiba, até o Gasômetro é desapropriada, arborizada, cercada e transformada em um jardim botânico, mantendo apenas os armazéns tombados. Onde se fala em shoping em um lado e em torres de edifícios do outros, formidáveis alamedas de palmeiras imperiais formarão um parque: o modelo pode ser o de um Jardim Botânico do Rio de Janeiro na orla, dignificando o espaço, atraindo de fato turistas europeus. O uso do local será todo dirigido para o turismo. O Museu MAC, do Trabalho, o Gasômetro, a feira do livro, a bienal são salvas de serem transformadas em camelódromo.

Na região defronte a rodoviária, no lugar de construir torres altas, é feita o terminal de ônibus urbano do centro, desafogando o lado do mercado. Ou então se usa o espaço para desafogar o trânsito confuso da região da rodoviária, construindo avenidas, ou mesmo um amplo anel, para melhor rotear a entrada de carros na cidade. Ainda seria possível fazer o terminal rodoviário intermunicipal nesta área.

Tendo em mente que a arrecadação de impostos de renda subiu 10% em 2009, o poder público, no gozo dos recursos de um Brasil mais prósperos , contribui na reforma. Com o apoio do BNDS, que tem prestimosamente dado dinheiro público para a iniciativa privada fazer grandes obras, dentro do modelo “neo-milagre-econômico”, poderia financiar um projeto de passar o fluxo da aveniada Maua para um subterrâeno. Até mesmo trecho do Tremsurb entre a rodoviária e o mercado poderia ir para um subterrâneo. Sem o fluxo de carros, e sem o trem, o parque ocuparia os dois lados do muros e ai sim teríamos uma revitalização um tanto menos Dubai, menos Blade Runnner da Maua.

Nesta fábula, a população consegue fazer da área um local de fato nobre, com vocação para eventos, para cultura e para o público, para um uso de fato do interesse de um turista. Unida, a sociedade consegue lutar pela preservação da monumentalidade que a área já tem, sem a mesquinharia de um shoping que transforme a área em uma Assis Brasil, de uma torre Galeria do Rosária.
Carros, comércio e vendas já estão bem representadas no tecido urbano, mas faltam locais livres, públicos. Como a cidade que pretende atrair turistas pode oferecer um projeto tão acanhado urbanisticamente, juridicamente insustentável, éticamente imoral e economicamente prejudicial para Porto Alegre?
Precisamos de uma orla monumental, não de um mercadinho de esquina e um espigão insólito, tomados de carros de permeio. E na fábula com o final feliz, vemos o deputado Flávio Koutzii liderando uma resposta iluminista salvando o cais desta revitalização nati-morta.






















quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Essa "imundícia" no cais não passará!



                Como uma republiqueta da America Latina, temos um pouco de respeito indevido, quase crédulo, com o que é formal. Nada mais natural que os cleptocratas municipais unidos aos tubarões das construtoras, em alegre complacência do grupo RBS, tenham se apressado a dar ao horroroso projeto do cais, um adjetivo de “já decidido”, ou “caso encerrado”. Com a votação do dia 21 majoritariamente favorável ao projeto, pretendem dar ao povo a noção de que esta é uma matéria seríssimamente “já decidida”, portanto daqui para frente fora de discussão. Não é bem assim.  Não podemos acreditar neste encerramento, e como população, temos que deixar mais claro que não sentimos o projeto acabado. Nossa estratégia bem pode ser a seguinte:
1-      Prestigiar o abaixo assinado online contra a este projeto. O site do abaixo assinado é http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5406 e muita gente não assina pois pede número do CPF e de título de eleitor. De fato, a internet é perigosa demais mesmo para por números que podem ser usados para golpes: faça assim, ponha nos campos de CPF e eleitor, números quaisquer, e ponha seu nome completo nas observações. Em uma eventual averiguação de veracidade de assinaturas, com 1 minuto de Google, se poderá achar email e contatos de todos nós.
2-      Em 2010, os dois principais autores do projeto do cais estarão na vitrine concorrendo a governador (Yeda e Fogaça). Ao mesmo tempo, o tema ecológico será a “bola da vez” dos temas eleitorais. Faça como nós:
a.       Só vote em candidato a governador que declarar que vai “auditar” o projeto do cais: vale dizer, que estude como Yeda acreditou um dia que a revitalização seria tão cara (500 milhões, ou cinco mega senas de ano novo), que só vendendo umas partes para custear a megalomania suspeita. Vote em candidato que declare que vai auditar como que o estado não tem dinheiro para fazer uma praça pública na área. Que audite, como não foi pensado em conseguir dinheiro da iniciativa privada apenas no uso dos galpões, sem prédios blader runner arrepiando o paisagismo.
b.      O tema do cais curiosamente esteve ausente dos debates das eleições para prefeito e vereador em 2008. Provavelmente pois a maioria dos partidos da cleptocracia local devia favor as incorporadoras que babam pelo projeto. Não vamos permitir que o tema não ganhe evidência nas eleições de 2010. Vamos transformar este projeto que em si é um escândalo, nisso mesmo: em um escândalo político, com desgaste de quem o defende. Precisamos colar no hábil Fogaça, que adota a política da invisibilidade, a autoria – que de fato lhe corresponde, e ele habilmente não assume- dessa imoralidade: ele terá que confirmar/desmentir a paternidade, diante de reinterados testes de DNA, deste Frankenstain revitalizado. Provavelmente Yeda não negará a maternidade do projeto, mas uma discussão sobre de onde ela teria tirado a cifra de 500 milhões (dito custo da revitalização), pedra angular –e pressuposto falso- de toda a argumentação, a deixaria acuada politicamente: os quinhentos milhões são um chute nas nuvens, é um suposto custo de valor improvável de ser acreditado por um eleitorado medianamente crítico.
c.       Tenha em mente como cada vereador votou neste projeto do cais e no do estaleiro. Eles costumam pretender seguir carreira política, temos que deixar claro que somos vingativos, que temos memória, e que não somos a Paraiba, com grande porção de eleitores com baixa escolaridade. O projeto foi aprovado com 29 votos favoráveis, e votaram contra apenas os vereadores Carlos Todeschini (PT), Sofia Cavedon (PT), Maria Celeste (PT), Lúcio Barcelos (PSOL) e Fernanda Melchionna (PSOL). Precisamos prestigiar estes cinco políticos. Precisamos cobrar os outros 29, com mais ênfase, uma agenda ecológica, sustentável e não privatizadora para o cais. Se o seu vereador retirou de você o atual direito de posse sobre esta área pública e entregou para amigos empreiteiros dele, ele precisa discutir com você esta conduta.

3-      O projeto de Shoping e de prédio de escritório é um projeto comercial. Vale dizer, tem que ser simpático ao consumidor, tem que ser simpático ao investidor. Um movimento online e mesmo de boca-boca contra a iniciativa vai arrepiar qualquer investidor mediano. O Fôrum social mundial será uma bela oportunidade de internacionalizar a oposição a esta agressão ao meio ambiente, e poderemos alertar tanto as pessoas, quanto principalmente os investidores desta urbanização imoral da orla, que o projeto conta com a antipatia da população. Se nossa geração não consegue fazer coisas belas ali, que pelo menos não se façam coisas mal assombradas: as novas gerações que façam mais que a nossa.
4-      Tenha informações no blog : http://caismaua.blogspot.com


Assim, seja com o abaixo assinado que deverá seguir posteriormente para o Ministério público, seja na via política, exigindo que o tema seja cobrado e rediscutido na campanha de 2010, seja na via do marketing comercial, minando a simpatia dos consumidores e investidores de shoping e de prédio de escritório, não vamos pensar a imundícia como um caso encerrado. Já amargamos uma geração toda com o muro, não podemos permitir este “novo muro”, uma segunda camada de muro da Mauá.
O projeto não passará! A realidade não é feita de formalismos imorais, como a votação do dia 21; é feita de pessoas. E todo o poder emana das pessoas, não da Camargo Côrrea. No mundo não existem combinações, nem regras, nem torres gêmeas, apenas pessoas. E atos humanos não são pétreos, são sim tão passíveis de auditar e descombinar, quanto um casamento, quanto uma vigarice, quanto um muro de Berlim. Vamos nos insurgir contra a segunda camada do muro da Mauá, esta ainda mais alta. Temos que tirar a política da mão dos políticos,  a informação da mão dos meios de comunicação, e o poder da mão do capital.


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