Cais Maua

Em defesa de uma parceria público privada em que o que seja público siga-o, e o que é da privada, siga-a!

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Uma fábula de dinheiro, mentiras e urbanismo padrão Alvorada, mas com final feliz


A CHEGADA DA PROPOSTA ASSOMBROSA Em uma fábula hipotética, um grupo de força econômica chega de Zeppelin a Porto Alegre e faz a seguinte proposta:

a) a Usina do Gasômetro deixa de ser um centro de eventos, de caráter público, e vira um enorme camelódromo privado, com a estética final muito parecida com o atual camelódromo que já existente na Júlio de Castilhos.

b) Ao lado do gasômetro, em local que anteriormente se falou em fazer uma marina para barcos à vela, é feito mais um shoping destes de estética de camelódromo, um mercado árabe, com pequenas banquinhas como no centro de Capão da Canoa. A aparência final da área fica como a do centro de Alvorada ou de Cachoerinha. Os turistas entediados fogem deste shoping gasômetro provinciano, pequeno, amesquinhado, igual a qualquer outro do mundo, preferindo ficar no hotel vendo TV. A maior parte nem vem para Porto Alegre, preferindo outras capitais do pais com orla mais bonita. O trânsito da Mauá, deverá para em caráter definitivo. O espaço hoje público e aberto se torna uma feira hippe com um teto de laje.

c) A pequena e simpática praça defronte a usina do gasômetro, com sua fileira de figueiras bravas, deixa de ser uma praça, deixa de ser pública, deixa de ter figueiras, é lajeada, e é transformada no teto de um parking enorme para carros, também sendo englobada pelo tal shoping, seguramente o maior shoping da cidade. O museu do Trabalho é derrubado em benefício deste shoping Mauá, especializado em muamba do Paraguai, brinquedos chineses e raízes de ervas.

d) O Museu de Arte contemporânea é despejado do cais, bem como as bienais de arte moderna. Provavelmente também a feira do livro (pois em que pesem os desmentidos primeiros, é pouco provável que a filial de restaurantes e universidades feche por 2 ou 3 semanas para a realização da feira). Os armazéns, que hoje servem muito bem como centro de eventos, muitos deste eventos de natureza cultural, perderão esta função. Nos armazéns, barzinhos pés sujo com cadeiras de metal com logos de cerveja, servirão pastéis, não mais cultura.  Turistas amedrontados, e habitantes da cidade, passam a ter dificuldade de andar no meio da rafuagem, de noite a aparência do local  é a que hoje temos na Salgado Filho.

e) Uma parte importante da área é tomada por estacionamentos de carro, de lucro privado, e estética duvidosa. Carros estarão estacionados dentro do passeio, impedindo a caminhada. Um mar de carros estacionados vai impedir qualquer uso para o turismo, impedir qualquer plantação de árvores no local. No lugar que poderíamos ter um Parcão, teremos um parking de carros mais ou menso como o que tem defronte ao shoping Barra. O pier corre o risco de virar um parking para estacionamento do centro.

f) Na outra ponta dos armazéns, nas imediações da rodoviária, na área onde existe ampla área livre, hoje pública, local onde bem caberia um imenso parque de amplo uso para o turismo e para a arborização, são construidas duas ou três torres de 50 andares. As torres são de escritórios, dentro do rio, como se faltassem áreas na cidade para torres de escritórios. A área deixa de ser pública, pois os escritórios serão privados. Com o entorno pesado, a decadência é então fulminante, quase imediata, ampliando o clima da avenida Júlio de Castilhos até o local, com advogados mal afamados e pontos de compra de cabelos locando as salas. Um clima de imensa galeria do Rosário em breve toma conta dos dois prédios, que em poucas décadas vira um local exclusivamente para a prostituição.

g) O projeto todo é apresentado como custando diversos milhões, já que construir torres de escritórios e fazer shopings é de fato algo caro. Não é detalhado na proposta, contudo, o quanto do dinheiro vai para “arrumar” os armazéns ( ou seja, o quanto vai para a finalidade “pública” da área), e o quanto vai para o fim de fazer diversas obras privadas. Não esta na proposta qualquer referência a como os citados milhões devem ser gastos, se em lustres para o prédio privado, ou arbustos para a porção pública do negócio, ou em comissão para os gestores públicos entusiasmados com a coisa toda. Fala-se em R$ 500 milhões, ainda que seja curioso gastar 100 mil reais que sejam em área que já esta pronta como centro de eventos, inclusive já esta até murada. Pela proposta, a cidade de Porto Alegre, entrega em doação a estes senhores, quase todos estrangeiros, a maior parte desconhecidos, 18 hectares, ao lado do rio, na área mais nobre da cidade com sérias perdas para o uso turístico da área.
h) Em um resumo, a proposta é vocionada as mascatismo, é uma proposta neste sentido mercantil, por atender necessidades de vendas, atende bem automóveis e torres de negócios. Não amarra qualquer compromisso dos autodenominados "investidores" com "melhorias", apenas detalahs os ganhos privados. Portanto é uma Parceria Privada-privada, uma case único para o estudo no capitalismo. Pela propostas os "investidores" detalham o que eles ganham, mas há uma falha em detalahr o que farão para a cidade em troca. salvo irrigar ineterruptamente o muro, algo antiecológico. Pela proposta, apenas estão detalhadas quais aparelhos culturais hoje existentes (Bienal, centro de eventos no cais, Usina do Gasômetro, Museu de arte contemporânea, Museu do Trabalho, Praça Brigadeiro Sampaio, Feira do Livro no cais) serão desmontados.

 O FINAL FELIZ Contudo felizmente, a fábula tem um final feliz. O povo impressionado com a falta de sentido, gosto e bom senso do tema, se une e promove ampla resistência. O governo eleito decide convocar um plebiscito, ou referendo: seja para votar sim ou não para este projeto que ai esta, seja mesmo para votar entre meia dúzia de outros projetos urbanísticos diferentes, melhores, menos agressivos para a cultura, mais cidadinos, mais públicos, mais culturais e mais estéticos. A Dna Eva Sopher é convidada para presidir uma fundação de revitalização cultural, o “centro de Eventos Culturais Cais do Porto”, nos moldes da Fundação Teatro São Pedro. A manutenção financeira dos Armazéns será muito bem conseguida com a renda dos ingressos de eventos, feiras, bienais. Será bem conseguida com a locação dos armazéns para congressos e como centro de eventos, inclusive privados (feiras de tecnologia, da indústria, congressos médicos). A iniciativa privada é bem vinda, assim como a Pepsi tem mantido a orla do Marinha, assim como construiu o Museu Ibere Camargo, a ajudar na manutenção. Toda a região que vai da ponte do rio Guaiba, até o Gasômetro é desapropriada, arborizada, cercada e transformada em um jardim botânico, mantendo apenas os armazéns tombados. Onde se fala em shoping em um lado e em torres de edifícios do outros, formidáveis alamedas de palmeiras imperiais formarão um parque: o modelo pode ser o de um Jardim Botânico do Rio de Janeiro na orla, dignificando o espaço, atraindo de fato turistas europeus. O uso do local será todo dirigido para o turismo. O Museu MAC, do Trabalho, o Gasômetro, a feira do livro, a bienal são salvas de serem transformadas em camelódromo.

Na região defronte a rodoviária, no lugar de construir torres altas, é feita o terminal de ônibus urbano do centro, desafogando o lado do mercado. Ou então se usa o espaço para desafogar o trânsito confuso da região da rodoviária, construindo avenidas, ou mesmo um amplo anel, para melhor rotear a entrada de carros na cidade. Ainda seria possível fazer o terminal rodoviário intermunicipal nesta área.

Tendo em mente que a arrecadação de impostos de renda subiu 10% em 2009, o poder público, no gozo dos recursos de um Brasil mais prósperos , contribui na reforma. Com o apoio do BNDS, que tem prestimosamente dado dinheiro público para a iniciativa privada fazer grandes obras, dentro do modelo “neo-milagre-econômico”, poderia financiar um projeto de passar o fluxo da aveniada Maua para um subterrâeno. Até mesmo trecho do Tremsurb entre a rodoviária e o mercado poderia ir para um subterrâneo. Sem o fluxo de carros, e sem o trem, o parque ocuparia os dois lados do muros e ai sim teríamos uma revitalização um tanto menos Dubai, menos Blade Runnner da Maua.

Nesta fábula, a população consegue fazer da área um local de fato nobre, com vocação para eventos, para cultura e para o público, para um uso de fato do interesse de um turista. Unida, a sociedade consegue lutar pela preservação da monumentalidade que a área já tem, sem a mesquinharia de um shoping que transforme a área em uma Assis Brasil, de uma torre Galeria do Rosária.
Carros, comércio e vendas já estão bem representadas no tecido urbano, mas faltam locais livres, públicos. Como a cidade que pretende atrair turistas pode oferecer um projeto tão acanhado urbanisticamente, juridicamente insustentável, éticamente imoral e economicamente prejudicial para Porto Alegre?
Precisamos de uma orla monumental, não de um mercadinho de esquina e um espigão insólito, tomados de carros de permeio. E na fábula com o final feliz, vemos o deputado Flávio Koutzii liderando uma resposta iluminista salvando o cais desta revitalização nati-morta.






















sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Com grafite se faz politica: abaixo os muros da Mauá

Bela coleção de grafites em um outro muro, que não o da vergonha na Mauá. MAs também outra vergonha.
http://dialogico.blogspot.com/2009/12/os-muros-do-gueto-mas-nao-o-de-varsovia.html vale a conferência.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Essa "imundícia" no cais não passará!



                Como uma republiqueta da America Latina, temos um pouco de respeito indevido, quase crédulo, com o que é formal. Nada mais natural que os cleptocratas municipais unidos aos tubarões das construtoras, em alegre complacência do grupo RBS, tenham se apressado a dar ao horroroso projeto do cais, um adjetivo de “já decidido”, ou “caso encerrado”. Com a votação do dia 21 majoritariamente favorável ao projeto, pretendem dar ao povo a noção de que esta é uma matéria seríssimamente “já decidida”, portanto daqui para frente fora de discussão. Não é bem assim.  Não podemos acreditar neste encerramento, e como população, temos que deixar mais claro que não sentimos o projeto acabado. Nossa estratégia bem pode ser a seguinte:
1-      Prestigiar o abaixo assinado online contra a este projeto. O site do abaixo assinado é http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5406 e muita gente não assina pois pede número do CPF e de título de eleitor. De fato, a internet é perigosa demais mesmo para por números que podem ser usados para golpes: faça assim, ponha nos campos de CPF e eleitor, números quaisquer, e ponha seu nome completo nas observações. Em uma eventual averiguação de veracidade de assinaturas, com 1 minuto de Google, se poderá achar email e contatos de todos nós.
2-      Em 2010, os dois principais autores do projeto do cais estarão na vitrine concorrendo a governador (Yeda e Fogaça). Ao mesmo tempo, o tema ecológico será a “bola da vez” dos temas eleitorais. Faça como nós:
a.       Só vote em candidato a governador que declarar que vai “auditar” o projeto do cais: vale dizer, que estude como Yeda acreditou um dia que a revitalização seria tão cara (500 milhões, ou cinco mega senas de ano novo), que só vendendo umas partes para custear a megalomania suspeita. Vote em candidato que declare que vai auditar como que o estado não tem dinheiro para fazer uma praça pública na área. Que audite, como não foi pensado em conseguir dinheiro da iniciativa privada apenas no uso dos galpões, sem prédios blader runner arrepiando o paisagismo.
b.      O tema do cais curiosamente esteve ausente dos debates das eleições para prefeito e vereador em 2008. Provavelmente pois a maioria dos partidos da cleptocracia local devia favor as incorporadoras que babam pelo projeto. Não vamos permitir que o tema não ganhe evidência nas eleições de 2010. Vamos transformar este projeto que em si é um escândalo, nisso mesmo: em um escândalo político, com desgaste de quem o defende. Precisamos colar no hábil Fogaça, que adota a política da invisibilidade, a autoria – que de fato lhe corresponde, e ele habilmente não assume- dessa imoralidade: ele terá que confirmar/desmentir a paternidade, diante de reinterados testes de DNA, deste Frankenstain revitalizado. Provavelmente Yeda não negará a maternidade do projeto, mas uma discussão sobre de onde ela teria tirado a cifra de 500 milhões (dito custo da revitalização), pedra angular –e pressuposto falso- de toda a argumentação, a deixaria acuada politicamente: os quinhentos milhões são um chute nas nuvens, é um suposto custo de valor improvável de ser acreditado por um eleitorado medianamente crítico.
c.       Tenha em mente como cada vereador votou neste projeto do cais e no do estaleiro. Eles costumam pretender seguir carreira política, temos que deixar claro que somos vingativos, que temos memória, e que não somos a Paraiba, com grande porção de eleitores com baixa escolaridade. O projeto foi aprovado com 29 votos favoráveis, e votaram contra apenas os vereadores Carlos Todeschini (PT), Sofia Cavedon (PT), Maria Celeste (PT), Lúcio Barcelos (PSOL) e Fernanda Melchionna (PSOL). Precisamos prestigiar estes cinco políticos. Precisamos cobrar os outros 29, com mais ênfase, uma agenda ecológica, sustentável e não privatizadora para o cais. Se o seu vereador retirou de você o atual direito de posse sobre esta área pública e entregou para amigos empreiteiros dele, ele precisa discutir com você esta conduta.

3-      O projeto de Shoping e de prédio de escritório é um projeto comercial. Vale dizer, tem que ser simpático ao consumidor, tem que ser simpático ao investidor. Um movimento online e mesmo de boca-boca contra a iniciativa vai arrepiar qualquer investidor mediano. O Fôrum social mundial será uma bela oportunidade de internacionalizar a oposição a esta agressão ao meio ambiente, e poderemos alertar tanto as pessoas, quanto principalmente os investidores desta urbanização imoral da orla, que o projeto conta com a antipatia da população. Se nossa geração não consegue fazer coisas belas ali, que pelo menos não se façam coisas mal assombradas: as novas gerações que façam mais que a nossa.
4-      Tenha informações no blog : http://caismaua.blogspot.com


Assim, seja com o abaixo assinado que deverá seguir posteriormente para o Ministério público, seja na via política, exigindo que o tema seja cobrado e rediscutido na campanha de 2010, seja na via do marketing comercial, minando a simpatia dos consumidores e investidores de shoping e de prédio de escritório, não vamos pensar a imundícia como um caso encerrado. Já amargamos uma geração toda com o muro, não podemos permitir este “novo muro”, uma segunda camada de muro da Mauá.
O projeto não passará! A realidade não é feita de formalismos imorais, como a votação do dia 21; é feita de pessoas. E todo o poder emana das pessoas, não da Camargo Côrrea. No mundo não existem combinações, nem regras, nem torres gêmeas, apenas pessoas. E atos humanos não são pétreos, são sim tão passíveis de auditar e descombinar, quanto um casamento, quanto uma vigarice, quanto um muro de Berlim. Vamos nos insurgir contra a segunda camada do muro da Mauá, esta ainda mais alta. Temos que tirar a política da mão dos políticos,  a informação da mão dos meios de comunicação, e o poder da mão do capital.


domingo, 17 de maio de 2009

Patíbulo Pùblico Privado: revitalização só se for do Frankenstein


As palavras ainda devem ter qualquer conexão com seu sentido. Quando empregamos o termo “parceria público-privada” (PPP), pela palavra “parceria” estamos procurando denotar cooperação. Queremos dizer que o público, e o privado farão uma obra e serão parceiros, entendendo que há algo em comum no interesse dos dois naquele empreendimento. Se tomarmos uma expressão análoga- parceiros sexuais- entendemos bem o clima de mútuo interesse e consentimento, mútua satisfação e cooperação que deveria existir quando o que queremos significar é a “parceria” em algo. Os dois ganham, só há entendimento e ganho equivalente nos dois lados.

Essa noção de entendimento não esta bem clara na PPP do Cais da Mauá. Se temos atualmente ali um espaço que até aqui é público, pois pertence a Marinha do Brasil, e vamos ceder em comodato por 50 anos para a iniciativa privada parte (ou todo) o espaço, o “público” no caso é apenas o gesto generoso de doação. O que o privado aporta para a sociedade neste caso? Sabemos o que o privado aporta para si no projeto: farão imensos prédios em estilo BNH, boiando, torres gêmeas dentro d´água, hotéis do mais alto gabarito. Mas sendo detalhista, o que o público, no caso nós, ganhamos com semelhante “parceria”? Ao doar para o “privado” a área, o público faz sua parte na parceria. O que o privado faz – não para si, para seu ganho- mas para o público, que vá merecer o nome “parceria”?


Acaso a comissão de diversos gestores públicos que faz dois anos estuda o projeto, poderia fazer a amabilidade de divulgar qual a contrapartida dos que recebem a área? Pois se pensarmos em uma estrada, sabemos bem o que o empresa que recebe a via tem (ou teria, sendo mais realista) que trazer em troca da concessão: mais alargamentos, mais pistas duplas, manutenção, ambulâncias.

Os agraciados com um terreno no centro de Porto Alegre, dentro do Guaíba, o que terão que devolver como contrapartida por 50 anos deste privilégio? Acho que este ponto ainda não foi bem detalhado, penso mesmo que é um curioso “esquecimento” da comissão de criação deste Frankenstein jurídico, paisagístico, ético denominado “projeto cais do porto”. Revitalização só se for do Frankenstein!

Acho que é um negócio. Portanto pode ser interessante comercialmente: a população de Porto Alegre abre mão dos terrenos pra lá de privilegiados, que seguramente terão um valor de mercado. Uma firma pode nos dizer quanto valem os “imóveis” que a comissão pressurosamente planejaria entregar para o José Richa e para a Camargo Correa. Pensando em um aluguel de 50 anos, chegaríamos a uma babilônia de dinheiro, o preço que nós, atuais donos do pedaço, vamos por para vender. Então ai teríamos que ver como ratear o dinheiro entre o povo, os atuais donos: seria um bom tipo de “parceria”. Outro seria os agraciados com o mimo da comissão- os enormes terrenos no cais- construírem doze hospitais para 300 pacientes cada, e gerirem por 50 anos. Acho que fica no preço, taco à taco. Mas para ser “parceria”, mesmo, temos que saber qual a obra que o privado vai se compromete. Do jeito que esta delineado, contudo, francamente! Não é parceria, é rapina. Seqüestro, com o conluio dos gestores da coisa pública. Os gestores da coisa pública estão gestando a coisa privada, o que é uma parceria com o Demo. Eu tenho o projeto necessário para a área: um patíbulo! E no futuro uma gilhotina: precisamos cortar o mal pela raiz, teremos clientes públicos e privados para o PPP: Patíbulo Público e Privado! Pela revitalização da Maria Antonieta, pela revitalização do Frankenstein! O uso do patíbulo será privado, mas o público poderá (pagando entrada) frequentar a região. Não sei se teremos defensores na câmara de vereadores, mas não deixa de ser um tipo de “revitalização”, a revitalização pela degola. Eu sou parceiro.

domingo, 10 de maio de 2009

Para o turista estrangeiro o Rio de Janeiro é melhor que Porto Alegre: o estudo de caso do calçadão de Copacabana e do Cais da Mauá.


O Hotel Copacana Palace é um primor! Além do prédio ser bonito, esta defronte da praia de Copacabana. Diante dele está o calçadão de Copacabana, desenhado por Burle Marx, nos anos 1970, quando da “revitalização” da avenida Atlântica”. O calçadão se alonga por diversos Km, deve ter uns 500 metros de largura, é feito em pedra portuguesa com um desenho suave, que convida a refletir sobre a ondulação do mar. Entre o calçadão e o hotel estão as diversas pistas da avenida Atlântica (também ela desenhada por Burle Marx), e obviamente que entre o calçadão e o mar está a areia da praia. O hotel é bonito, mas o entorno torna tudo mais suave, o hotel em sua imponência esta bem posicionado com a imponência do entorno. Tudo é monumental, o prédio e a urbanização defronte do prédio.

Portanto o hotel Copacabana Palace não esta boiando dentro do oceano, sobre palafitas. Não esta na areia da praia, antes da calçada. Não temos um trecho de calçada, com hotéis semeados no meio da calçada, pois interromperia a caminhada, o passeio, a reflexão, a monumentalidade visual da praia.
Em Porto Alegre, o principal problema estético do projeto do Cais do Porto é que os espigões de hotéis e escritórios estariam dentro do rio, antes do passeio público, ou entre o passeio público e a atração, o rio. Os prédios deixariam algum eventual visitante sem ver o rio, sem tomar sol (salvo ao meio dia) Algo seguramente inédito no mundo. E o arquiteto que desenhou o projeto não é do escritório de Burle Marx, mas sim um cacique da política, do PMDB.

Acreditamos que semelhante projeto não vai embelezar a região. Na verdade, embelezar a região é complexo, pois os prédios que já estão na Mauá são feios, o trem ali é outro fator de enfeiamento, mas ainda há o que está atrás do muro, que pode ser trabalhado para ser um local bonito para levar turistas. Se desejamos atrair turistas, o grau de complexidade do projeto urbanístico pede cautela. Pede competência profissional, pede muita arte. O projeto que aí está - pelo amor de Deus-, é pura cobiça mercantilista sem qualquer qualidade, muito menos monumentalidade. É um desesperado “apropriar-se” por particulares (com o “suspeito” e inusual entusiasmo de alguns gestores públicos) de um local com uma vista, mas destruindo a beleza do local. Portanto é um projeto que na sua cobiça é destrutivo para si mesmo, um chamado tiro no pé: se a construtora Maguefa de hoje fizer ali setenta prédios de luxo, o local vai ficar tão desinteressante para o consumidor do produto (hotel ou escritório), que provavelmente continue degradado. E o aproveitamento para o turista será nulo, o aproveitamento para o luxo também será nulo, pois o local não será nenhum calçadão de Copacabana, portanto o nosso Hilton nunca será um Copacabana Palace.

Hoje Porto Alegre não tem relevo no circuito turístico brasileiro. Somos, segundo dados da Embratur de 2003, o sétimo destino de turistas internacionais do pais. Ficamos depois de Búzios e de Foz do Iguaçu. Você já se perguntou o por que ninguém nos visita? Por que não temos locais bonitos. A iniciativa pública tem que construí-los, como fez o Colares com a avenida que passa dentro do Parque Marinha. Como fez o PT ao tiras as bibocas da praia de Ipanema. Temos 5% do movimento dos turistas internacionais. O Rio de Janeiro, seguramente como conseqüência de trabalhos semeados no passado, como o calçadão de Copacabana feito na década de 1970, recebe quase 50% desses turistas, é o primeiro destino. Sempre que a mídia nos brinde com algum projeto de “revitalização” do cais Mauá, devemos em primeiro lugar nos perguntar: Essa idéia vai contribuir para nos tirar do 5% e aumentar a indústria de turismo em Porto Alegre? O atual projeto do Cais vai apenas nos afundar para a vigésima posição.

O projeto que aí esta seguramente não ajudaria. Por destruir o paisagismo do local, por simplesmente dar para a iniciativa privada as áreas, por não propor coisa alguma pública (nem teatro para a Ospa, nem Museu de Arte Moderna, nem passeio público, nem praia coletiva como os parisienses organizaram na beira do Sena), e por sugerir que o que é nossa “esperança” –como outro dia dizia um articulista da Zero Hora- é construir na área prédios privados e de luxo, o projeto é apenas uma rapina de uma quadrilha de construtores. Podemos chamá-lo de projeto Dubai, devido aquela parte dos hotéis flutuantes, mas não podemos chama-lo de um projeto inteligente para atrair turismo, pois é muito feio. E esperança nós temos que Porto Alegre deixe de ter apenas um jornal.

Precisamos um projeto que tenha mais monumentalidade, como o projeto do calçadão de Copacabana, que tenha mais ênfase em cultura, como o projeto da feira do livro na região, como o projeto do Museu de arte Contemporânea. Não precisamos de um projeto apenas comprometido com o lucro de algumas cadeias de hotéis de luxo. Portanto mais cultura e menos lucro. O projeto Mauá-Dubai não passará (Como diria La Passionara)! Se a nossa geração não tem uma idéia boa para o local, deixemos a região para a próxima geração pensar em algo melhor. Somos de uma geração que tem uma camarilha de gestores, que seguramente não vão ser tão ruins na próxima geração. Mas entregar para o PMDB fisiologista do Sr Jaime Lerner destruir, não vai dar. Todos contra o projeto Mauá-Dubai! Fogaça e Yeda, não precisamos de mais sustos, já tivemos o bastante.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Entregar o Cais da Mauá para a rede Hilton é o mesmo que lotear o Parcão




O governador Jaime Lerner, cacique do PMDB (base da governadora Yeda), não é um urbanista renomado, nem tarimbado. Sua firma de urbanismo tem um projeto feio para o cais de Porto Alegre, agressivo esteticamente, com torres flutuantes, que não abre espaço para cultura. Precisamos de urbanistas melhores, idéias melhores. Precisamos de uma firma internacionalemte confirmada para fazer este projeto.

Os projetos de Museu de arte moderna (MAC), bienal e feira do livro são mais de uso da população que dois hotéis de luxo. Até mesmo para o turismo, o melhor não é fazer prédios, muito menos prédios privados, menos ainda prédios flutuantes no estilo DUBAI. O melhor seria um oceanário, uma alameda de passeio, um negócio aberto, até um píer. Poderia ter praia artificial, se fosse feito uma elevação do nível do fundo do cais, fazendo largas piscinas públicas. Restaurantes+ passeio é uma excelente idéia. Um projeto que venha da ponte do Guaiba até o gasometro.

Mas essa “entrega” de um dos espaços mais bonitos da cidade para a rede de hotéis Hilton e Softel, é um acinte a lei, que reserva áreas de orla para uso público e cultural. É um acinte ao bom gosto, os prédios são feios, não vão trazer turistas. E sobretudo é um acinte ao bom senso: privatizar para o uso de dois hospedes da rede Hilton a área, deixando a população do lado de cá do muro, é agressivo. É o mesmo que lotear o Parcão para fazer um condomínio fechado: pode ser mais seguro e dar menos custo para o estado. Mas é imoral!

O projeto de Barcelona e de Buenos Aires não tem - que se saiba- torres privadas flutuantes no meio do caminho.

Senhores gestores, achamos que o cais é público, não esta à venda. O muro da vergonha esta ainda mais ruborizado com essa deste gestores.

Faça sua camiseta e junte-se ao movimento "que vergonha"

Estamos fundando o movimento "o muro é nosso, a vergonha é do gestor público" com objetivo de defender a área do cais Mauá da cobiça dos grandes hotéis, que planejam tornar a beira do rio um espaço privado da rede Hilton e da rede Softel. Lembra da feira do livro infantil, da bienal e do projeto de fazer ali o Museu de Arte Contemporânea? Pois esqueça, o plano Yeda é privatizar e deixar o povo do lado de cá do muro, um muro ainda mais ruborizado de vergonha. Há uma disputa sobre a área, a disputa é simples: a área será pública (ou seja do eleitor) ou privada (da rede Hilton)?

Faça uma camiseta ou cartaz com as frases "um muro ainda mais ruborizado de vergonha", ou então a camiseta "Yeda, sua cara é um muro sem vergonha", ou então "Fogaça, no Porto Madero não tem hotel sendo dono da área pública" e venha defender o conceito de urbanizar a região e fazer dali um espaço "público"!

Vamos fazer uma orla para o turista, aberta, com um museu de arte contemorÂnea. VAmos contratar um urbanista europeu qualquer para fazer um espaço de beleza, mas vender?! Os gestores não poderiam gestar algo mais imoral e sobretudo feio, em termos de paisagismo. Duas torres boiando dentro d´agua, é muito Dubai para nosso meio... Nenhum turista europeu vai vir do seu continente para ver um hotel Hilton. Viria se fizessem uma alameda de laranjeiras (pública), como é em Sevilha na beira do Guadalquivir, ou do Sena em Paris. Nesse caso o gestor pariu um aberração de aborto, um lobisomen! Vamos salvar a cidade do mau gosto da Yeda/Fogaça.

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