Cais Maua

Em defesa de uma parceria público privada em que o que seja público siga-o, e o que é da privada, siga-a!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O que era para ser democracia esta mais para pedofilia



A democracia, bem como o nome explicita, deveria ser um mecanismo da representação dos interesses do povo. Não tem sido, no nosso meio e no nosso tempo. No episódio do cais do porto de Porto Alegre, os interesses do capital (rede Hilton, construtora Camargo Correa, grupo RBS) de construir na orla e no centro da cidade, em terrenos de imenso valor imobiliário e afetivo (dentro do rio), estavam em choque com os interesses da população. Ao povo teria menos serventia uma Padre Chagas acanalhada por dois prédios de 38 andares dentro do rio, do que um novo parcão na região do cais. Não interessa ao povo de Porto Alegre, uma região destruída por bárbaros engarrafamentos, com um visual de Blade runner, com dois espigões e um shoping poluindo de exagero de trânsito e carros, esgoto e assaltos o que poderia ser um sereno espaço de cultura, passeio e parque.
                No conflito entre o interesse do povo e o interesse do capital, o poder público tomou o partido do capital, abandonando quem deveria representar. No lugar de defender a praça, o distrito cultural, ou apenas um píer para se fazer fotos, o poder público defendeu a rede Hilton, o grupo RBS, a construtora Camargo Correa, os donos das lojas que farão o shoping, entregando área pública para o uso (“apenas por 50 anos”, mas não é pouco tempo) privado. O poder público não apenas nos traiu, traiu a si mesmo, pois saído do seu papel de nos defender, caiu na falta de sentido, na falta de identidade. Por que precisamos de prefeito, se ele ali esta para defender os interesses de nossos opositores? Como dizia uma frase pixada por anarquistas na Espanha: “que se votem eles (os políticos)”.
                O mais incômodo no episódio do cais, não é apenas que em grande maioria os vereadores votaram contra os eleitores, contra a cidade, contra a população que os elege. O mais incômodo foi que os vereadores “lideraram” o projeto. Sabendo da semvergonhisse e impopularidade de seus atos, gestaram o projeto “em segredo”, e votaram em momento –um dia antes do feriado de natal- que não desse para discutir mais a votação. Estes detalhes mostram que os políticos sabiam-se fora de seu papel de defender o interesse público.
O mais incômodo, é que os políticos foram produtores de mentiras e engambelações de toda ordem para iludir o povo , sabendo que eram idéias que apenas estavam ali para o lucro pessoal deles políticos. Como diz o Millor: desconfio de quem lucra com seus ideais.  São mentiras criada pela camarilha que roubou da população de Porto Alegre a posse sobre o cais: a) o custo de 500 milhões (quando o custo não chega a um milhão); b)o uso para a copa (quando se sabe da inclemência do Minuano em Julho, não haverá como usar a região no inverno); c) a imagem de que a região ficará igualzinho ao porto Madeiro, em Buenos Aires (quando no porto Madeiro não tem dois espigões dentro do rio, duas torres gêmeas, cada uma com 38 andares, dentro do rio, atraindo centenas de automóveis para engarrafamentos e gerando kilos de esgoto. Também não tem um shoping amesquinnhado o cartão postal. Pelo atual projeto, a inspiração é menos o porto Madeiro, e mais o porto de Itajai).
O que a quadrilha de políticos finge não se dar conta, é que se uma região é um cartão postal, ao se construir quatro prédios “dentro” do cartão postal, esta região deixa de ser um cartão postal, e virá coisa alguma.  (Se o central park fosse tomado por prédios, avenidas e comércio, ele deixaria de ser o central park). O presente projeto se auto-inviabiliza, pois ao enfeiar o que poderia ser embelezado, ele se torna comercialmente burro. Sendo um profissional liberal, eu teria vergonha de ter uma sala ecologicamente muito agressiva e nas redondezas da rodoviária. É ruim de pensar que o atual projeto, no lugar de revitalizar a área, vai terminar de matá-la, é um projeto de Eutanásia, ou “remortificação do cais”. Se prédio de escritórios revitalizasse, a avenida Júlio de Castilhos seria o Leblon.
SE o papel da classe política é cuidar dos interesses do povo, e o que ela promove é uma alegre  e camuflada “enrabação” do seus eleitores, temos que pensar que a democracia não esta atendendo os seus propósitos. O fato de haver rodízio no poder, parece apenas rodízio em quem submete analmente a população: muda quem nos enraba, mas não o ato de enrabar. Não parece interessante o rodízio assim, ou antes, apenas rodízio não muda o ato de fazer a população sofrer. Isso não combina com meu ideal de democracia...
Os políticos saíram de seu papel de cuidar de nossos interesses contra o poder do capital e passaram a cuidar de seus interesses, fazendo o mal a seus eleitores. Em tudo e por tudo essa perda de identidade dos políticos lembra a pedofilia: quem deveria cuidar, agride e corrompe. Quem tem o papel de proteger, se vale desta relação de confiança para destruir a confiança. A excitação sexual do pedófilo, em particular na pedofilia intra-familiar, vem seguramente das inverções de expectativas: o que era amor vira destruição, o que era cuidado vira desamparo, o que era confiança vira medo, o que era para ser é destruído. A vítima perde (inviabiliza muitos vezes a sexualidade adulta, gera psicopatologia), mas o pai também perde sua humanidade e seu papel de pai. O amor (querer o bem do outro sem ganho para si, segundo o dicionário) vira prazer de destruir, sadismo, e deixa de ser amor.  Na pedofilia que presentemente vemos por parte dos políticos, quem deveria cuidar, lidera o assalto. A raposa esta cuidando do galinheiro. O político que entrega a chave das áreas públicas para o capital destruir, esta deixando de ser um zelador da área pública. Esta se corrompendo em seu papel de cuidar, esta se valendo de seu poder para trair o seu papel de proteger. O político que vota em um projeto assim, deixa de amar (querer o bem do outro, no caso a população) e passa a ter prazer em destruir. O prazer não esta mais em fazer o castelo de areia, mas esta em chutá-lo.
Sentado em casa, após uma sessão assim na câmara, em frente ao espelho da penteadeira, cuja a gaveta esta recheada de jóias e dólares, o político pedófilo se vê no espelho. É noite de natal, um travo amargo nubla o prazer de se sentir “esperto”- tenho uma pajero na garagem- que o ilícito traz. Ele sabe que quem chuta o formigueiro, nunca se sente produtivo, construtivo. Quem chuta o formigueiro tem prazer, mas não paz no coração. Ele sabe que mais do que corromper os outros, é a si mesmo que a corrupção se gruda. Ele nega para si a percepção da dor moral, mas ela vem como certeza de que ficou menor. Tomando a chave de sua pajero sai para uma volta pelo gasômetro, para ver a árvore de natal, para ver as melhorias que a Pepsi fez no gasômetro, mas não convida os filhos, não tem coragem de convidar os netos para ir junto: os netos estão sozinhos vendo o dicovery kids. Ele não teria onde levar os netos, que não passasse por abrir a carteira. Se só cenários de consumismo existem, o avô é menos uma pessoa e mais uma carteira. Ele tem –claro- a carteira cheia, mas não levanta o olhar para o neto. O político na noite anda com sua pajero vazia, o político enriquecido pelo sigilo e pelo capital não chegará a Jucelino, e no seu obituário constará: foi vereador de Porto Alegre por uma legislação, se envolveu na aprovação das torres gêmeas. O político não chegará na árvore de natal: um absurdo engarrafamento na rodoviária o prenderá até o amanhecer do dia 25 em plena Mauá. A enchente de 41 o prenderá em um rio marrom de esgoto. A polícia federal o prenderá em algum momento. A insignificância de suas ações o prenderá em uma irrelevância aos seus contemporâneos. Não existe dinheiro que compre caráter, em geral muito antes pelo contrário. Não existe amor de neto quando o valor que se passa para o neto é o materialismo. E um grupo de torcedores bêbados de um pais improvável passa de volta para seu hotel de beira de rodoviária.

Quem será por nós? A pepsi




No livro Jihad versus McMundo, Benjamin Barber (editora Record-2003) argumenta que não há nada de intrinsicamente errado com o que a iniciativa privada constrói: os shopings, hotéis de luxo e restaurantes são necessários e muito do gosto das pessoas. O que há de problemático neste Mcmundo da inciativa privada, é o que ela não se interessa em contruir, o que ela deixa de fazer: praças, hospitais (que não dão lucro), bibliotecas que emprestem livros de graça. Atualmente até jornais (que passaram a ser deficitários com a internet) – com sua importante missão de pesquisar e divulgar verdades- não são mais “iniciativas” da iniciativa privada.
                É nesse ponto que precisamos do estado. Como a crise de 2008 trouxe para a ordem do dia, o estado tem funções. Além de socorrer a economia em fases de crise, tem a função da “iniciativa pública”. Obras de vital importância para a população, que não interessa ao McMundo custear, apenas o estado pode fazer. Os exemplos de um distrito cultural, de piscinas públicas, de uma praça, de um chafariz são obras que só a iniciativa pública pode se interessar em fazer.  São atribuições do estado, de certa forma a razão de ser da instituição “estado”. Junto com saúde-educação-segurança, só o estado pode proporcionar espaços públicos e cultura. Também só o estado pode zelar pelo meio ambiente, seja via policial ou via legislativa. O capital, como se vê, não se auto-regula no tema “destruição do meio ambiente”.
                Interessantemente o estado brasileiro, neste momento, alardeia que não tem dinheiro para qualquer destas suas atividades fins. O que então nos leva a incômoda pergunta: para que serve o dinheiro dos impostos? Qual a função do estado, se não atende as suas atribuições fins? O estado virou um meio sem um fim. Virou uma instituição para si, sem uma ação no mundo real. O estado arrecada para se manter, sem qualquer ação de fim. E alardeia isso sem ficar vermelho! Quando um político afirma que não tem dinheiro para fazer no cais do porto uma área pública, não sei se chega a perceber, ele esta quase dizendo que devemos demiti-lo. Quem replantou os jacaradás velhos da rua Ferando MAchado foi o dono do restaurante Dado Bier, pois o estado não tem dinheiro. Quem urbanizou a orla da gasômetro foi a Pepsi, pois o estado não tem dinheiro. Devemos esperar que a Pepsi nos governe, nos providencie parques, segurança. Mas sobretudo, que a Pepsi nos dê o que os impostos não dão, ou não poderão dar. Eu quero tanto meu ISSQN quanto meu IPTU de volta, vou entrar na justiça, é quebra de contrato. Paguei pelo que não me entregaram. E quero uma Pepsi na cadeira do prefeito Fogaça.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Não vamos perder a chance de fazer algo monumental em Porto Alegre



O cais do porto de Porto Alegre pode ser local para uma diversidade de bons projetos:
1)      Um conjunto de piscinas públicas e praia, como no Sena em Paris; 2) um centro de eventos e convenção, coisa que já é. Local para eventos como feira do livro, bienal, eventos da indústria e do comércio; 3) Local para um imenso Brique da redenção, com os mesmos artistas ou com os artistas plásticos com peças mais caras.4) Um jardim botânico; 5) um passeio público, nos moldes de Sevilha e Florianópolis, nos moldes do calçadão de Copacabana. 6) Um distrito cultural, com universidade de cultura, escola de dança, atelier livre da prefeitura e espaço de shows e espaço para a Ospa.
O Projeto que vai a votação na câmara dia 21 pretende transformar o local em uma espécie de calçada da fama. É um projeto bota branca, bolsa Louis Vuitton. Tem espaço para prédio de advogados dentro do rio, para shoping, para um hotel Hilton, para restaurantes Dado Bier. É um projeto da classe média que ostenta, um projeto para a classe ociosa.  É, portanto, um projeto dentro do limitado ideário da classe média: calcado no consumismo, na força da iniciativa privada, que prioriza o carrão estacionado dentro do pier, o prédio de concreto. Um projeto que não dialoga com o rio, não inclui um pé de árvore ou palmeira e passa ao largo da cultura, da ecologia, da beleza e do paisagismo. Portanto um projeto limitado e destituído de visão e coragem como o ideário pusilânime de seus autores. Um projeto “Cachoeirinha”, que bem estaria par uma cidade menor.
        Senhores vereadores: a beleza do Rio de Janeiro não vem de qualquer prédio de escritórios dentro do mar, não vem de nenhum shoping na orla, nem das fumaças de consumo do alto Leblon. Se vamos preparar nossa cidade para o turismo da Copa, não podemos aprovar um projeto que fará do cais do porto uma avenida Farrapos (prédios, sem árvore, muito carro). Não merecemos perder área tão linda para este projeto Blaide Runner que agora o senhores apreciam. O projeto em apreciação, além de um pavor estético e um pavor em termos de meio ambiente, entrega a área para o uso privado (shoping, hotel, prédios para profissionais liberais).
Este projeto tem um principal defeito: põe fora o local que poderia fazer diferença no momento de fazer Porto Alegre uma cidade turística. É o projeto que perde a chance. Um projeto desperdício. Por ser um projeto de pouca qualidade paisagística, vai fazer a cidade perder a chance de construir ali algo como um parque monumental. Por ser um projeto de visão estreita, não vai ser atrativo para um europeu. Por ser um projeto mercantilista e classe média, lhe falta a monumentalidade de uma redenção, de um Champ de Mars em Paris, de um central park em Nova York. É um projeto demasiado Padre Chagas, e pouco monumental, pouco pretensioso, pouco amplo. Falta ao projeto a visão de Niemeyer  no Rio, ou de Jucelino em Brasília, é um projeto que ficaria perfeito para Cachoeirinha, Alvorada, vai tornar nossa cidade menor, não maior. Vai dar ao local uma aparência meio Blade Runner, oprimida por prédios.
Falta mesmo ao projeto uma pretensão mais ampla, que veja no cais a chance de um local que seja o cartão postal da cidade, que seja largo e bonito ao ponto de fazer um turista sair de seu pais para vir ver. Que obviamente, como o calçadão de Copacabana, seja aberto e público. Sabe-se que a intenção do projeto é boa, mas ninguém vai se tocar da Suécia para ver uma nova filial das casas Bahia, senhores vereadores! O que falta ao projeto é visão: se a cidade for mais bela e mais monumental, em qualquer local que a rede Hilton fizer um hotel (até longe do cais), haverá lucro. Não precisa a rede Hilton fazer seu hotel “dentro” da atração turística, pela singela razão que ai ela destrói a atração turística!
Senhores vereadores, senhor Fogaça, não tenham uma visão tão restritiva do que se pode fazer ali. Pensem conosco: vocês podem mais! Pensem como o Obama: sim vocês podem! Vocês podem sonhar mais alto, melhor, mais bonito.  Muito mais do que esta ali. Vamos dar espaço ao impressionante, ao triunfal e não ao arrumadinho. Vamos fazer a área respirar espaço, que a conclusão de um visitante seja: essa é uma população que pensa largo, que tira partido dos seus espaços, essa é uma cidade de pensamento largo. Com o presente projeto a única conclusão de um eventual turista será: por que não fiquei mais um dia no Rio de Janeiro? (com sua praia do Flamengo, com seu Jardim Botânico, com seu calçadão de Ipanema e Copacabana). Por que diabos estão me mosntrando uma torre de escritórios, se poderia ver um rio? Onde vou caminhar, tomar sol, entre tantos prédios?  

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Como assim "revitalização?"


O CAIS DA BIENAL JÁ TEM VIDA

A PRAIA ARTIFICIAL DA BIENAL DEVERIA SER PERMANENTE

POR UMA PRAIA ARTIFICIAL, NOS MOLDES DA FEITA NO SENA EM PARIS

Em que a feira do livro infantil precisa ser "revitalizada"?

O que o cais já é (um centro de eventos culturais com estacionamento e monumentalidade) precisa de mais vida ainda? Quem disse isso não é da cultura. "Desenvolvimento" é só shoping, ou feira do livro também é desenvolvimento?



sábado, 24 de outubro de 2009

Abaixo assinado: imprima e consiga assinaturas, guarde as folhas assinadas e em breve vamos juntar todas em passeata a ser marcada





Ao Ministério Público; nós abaixo assinados pedimos que o Ministério Público julgue a constitucionalidade do direito do legislativo municipal de votar o projeto de lei sobre o uso privado do Cais Mauá.


O projeto nos parece inconstitucional pois:

1- Voto não é procuração de compra e venda. O gestor público não recebe a procuração para vender áreas do seu eleitor. O vereador não é um advogado do eleitor. Não esta no contrato eleitoral o direito do representante sobre os bens (áreas públicas) do representado. O pretenso direito dos vereadores de entregar para gestores privados no futuro a área atualmente pública fere o direito a propriedade que a população tem hoje sobre a área.

2- A área tem interesse ecológico e turístico e –sobretudo- cultural. A presença de shoping, hotel e duas torres de escritórios não promoverá tanto o turismo quanto um espaço cultural, um passeio público, uma marina, um mirante. Espigões por ali são um tiro no pé da proposta turistica, pois são feios, tiram a monumentalidade do local. Do ponto de vista ecológico, construções dentro do rio não são sustentáveis. Somos por um cais EXCLUSIVAMENTE cultural, não comercial, portanto (considerando que tantas áreas da cidade já tem vocação comercial).

3-O motivo alegado para a iniciativa privada participar do projeto seria o custo de 500 milhões da restauração. Como é possível um custo tão alto se o principal (passeio e pier de basalto) já esta e sempre esteve pronto? Que o restauro dos armazens seja feito pelos locatários que usarão os pavilhões para atividade culturais/ gastronômicas. Ou que empresas privadas como a Petrobras ou Vonpar ou a Pepsi paguem o restauro sem pedir para si um terreno na beira rio. Sugerimos a Sra Eva Sopher para gerenciar a revitalização, pois ao construir a Concha acústica do MULTIPALCO, ela fez de um espaço privado, um espaço público. O presente projeto faria exatamente o contrário: transformaria em privado um espaço que hoje é público.

4- Se a área atualmente é propriedade do portoalegrense, este direito de propriedade não é passível de votação. Seria um precedente perigoso para a ordem das coisas, a suspenção do direito de propriedade privada por votação, mesmo que a votação fosse da maioria. De maneira análoga, atualmente muitos “sem terras” não podem votar sobre o direito de propriedade de apenas um proprietário.

5- O espaço a ser revitalizado, já pulsa de plena vida. Vida cultural e não comercial. A Feira do livro infantil e a Bienal, em particular a praia artificial idealizada nesta Bienal, são bem vivas, e nem precisam de “revitalizações” privatistas e interesseiras.A mão que revitaliza, também embolsa alguns terrenos


sábado, 17 de outubro de 2009

Hoteis de luxo na praia das pessoas: revolta popular em Barcelona



O problema de politicos mafiosos, construtoras corruptas e prefeituras contra a população acontece até no primeiro mundo. Em Barcelona a população esta indignada com um hotel na orla, o hotel W, ou hotel vela. Veja no youtube video hilario da população fantasiando de largar uma bomba no tal hotel, denominado de "bomba al hotel vela" ( http://www.youtube.com/watch?v=fMv7KVU6L4k). Já é uma ideia para casa de cinema e para o Gerbase, temos que nos mobilizar, fazer filmes como este, assinaturas para o ministério público.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Como gastar R$ 500 milhões em algo que já esta pronto? Pergunte a Camargo Correa




Sobre os R$ 500 milhões.



Edemar Tutikian, ligado ao governo Yeda, é o gerente do projeto de revitalização do cais do porto. Ele apresenta um projeto de revitalização orçado em R$ 500 milhões. Como é um custo elevado, a iniciativa privada é chamada para pagar,e como contrapartida, ganha algumas áreas para seu usufruto. Este raciocínio parece bastante razoável, em uma primeira olhada. MAs apenas parece, pois tem coisas nele que não são verdadeiras, nem mesmo razoáveis: a área está pronta, construída por nossos bisavós e nem ao menos um centavo é necessário para embeleza-la mais do que já é. A monumentalidade do píer para o passeio público já esta contruida, e grátis. Os armazéns são tombados, não podem ser melhorados e portanto não pedem qualquer orçamento maior. Se algum empresário privado (Dado Bier) vai transformar algum armazém em um restaurante ou danceteria, se alguém vai explorar o estacionamento, pois que dedique parte da receita para um banco de praça, uma pintura e dois vigilantes privados. Sr Edemar, não há qualquer milhão necessário para o uso público do cais, pois o cais está pronto (a parte para uso público está pronta, porém fechada). O Sr apresenta uma bela solução (a da parceria público privada) para um falso problema (onde conseguir quinhentos milhões). NA verdade, semelhante orçamento, é apenas o ponto necessário,e falso, na equação para justificar o desejo da iniciativa privada de construir espigões privados na orla pública.


Sobre um shoping lacustre praticamente dentro d’água.


Um shoping ao lado do gasômetro (baixo ou alto) trará filiais das casas Bahia e das lojas Marisas para dentro do rio Guaiba, menos de 20 metros. Qual o benefício para o turismo de perder uma praia em benefício de uma nova filial das lojas MArisas? Qual o benefício para as lojas MArisas de ter a filial mais lacustre do mundo, praticamente dentro do rio? Qual o benefício de um shoping dentro do píer para a beleza da cidade? Quem precisa de um shoping em uma área pública? Qual o turista europeu terá interesse em conhecer um shoping provinciano apequenando a beira-rio? Qual a cidade de sucesso entre os turistas abre mão de uma praia, para fazer umas lojas no meio da areia?






Sobre duas torres de escritório imediatamente ao lado do rio.


Não parece estético (sem falar em ecológico) erigir um prédio nas areias de Copacabana. Há em Dubai um imenso hotel flutuante, mas devemos manter-nos longe do delírio: Porto Alegre não é Dubai, nosso senso estético não nos permite esta inovação em todo Brasil, mesmo que seja um prédio de qualquer altura (dois andares). Além de uma agressão arquitetônica, um prédio no meio do píer, atravancando o passeio, é um monumento a cobiça predatória da especulação imobiliária. A simples presença de um espigão não valoriza nenhuma área, existem prédios de atividades degradadas que mais aviltam que enobrecem seu entorno.


A revitalização é importante para atrair turistas.


O presidente do Porto Alegre Convention & Visitors Bureau, Sr Ricardo Ritter, acha que o projeto pode transformar o porto no maior ponto turístico de Porto Alegre. Seguramente esta correto, mas não será a presença de um shoping no meio do passeio, ou de duas torres de escritórios que farão franceses e dinamarqueses cruzarem o oceano para conhecer Porto Alegre. Nova York não ganhou mais turistas fazendo hotéis dentro do Central Park. Ter ou não hotel, shoping ou escritórios não fazem da região mais ou menos turística. Escritórios dentro do oceano, ou nas areias de Copacabana, não ajudaram o Rio de Janeiro na vitória para ser sede olímpica. Simplesmente a área é pública e nobre demais para a construção de hotéis e shopings, que não ganham nada com esta localização. Um novo shoping e um novo hotel terão diversos endereços em toda a cidade, não necessitam ser feitos no meio de um espaço que melhor estaria empregado sendo um passeio público.


A área como necessária para preparar a cidade para a Copa do mundo.


A copa do mundo será no inverno de Porto Alegre. O cais é a região mais inóspita no inverno, varrida por minuano, cheias e uma paisagem desoladora. Investir na orla para a Copa não parece inteligente. A área deve atrair turistas em outras épocas, e principalmente portoalegrenses, que também precisam de áreas de lazer.


Empreendimentos ajudariam a manter o local movimentado, mesmo durante a noite.


Duas torres de escritórios seguramente não trarão movimento de noite. Uma área análoga, os entornos do gasômetro, vai se tornando pequena para o afluxo de pessoas, que por ali permanecem mesmo depois do por do sol. Nos finais de semana de calor, o quantidade de pessoas é tanta, que a verdadeira questão parece ser bem o oposto: como ter menos pessoas na região. O movimento de noite também parece ser um falso problema. Ninguém discute o sucesso de uso do parcão, mesmo que durante a noite este uso acabe. Não há, e com a atual conjuntura não parece que haverá tão logo, qualquer espaço público de tranqüilidade contra a violência urbana. E além do mais, as diversas atividades privadas que o projeto prevê, em nada garantem maior segurança. Com ou sem torres de escritório, a Julio de Castilho é insegura, assaltos ocorrem defronte ao Plaza São Rafael nos dias de hoje e ao lado do shoping Praia de Belas não há mais segurança, mesmo o contrário.


A presença da construtora Camargo Correa no projeto de revitalização


A Construtora Camargo Correa esta sendo investigada na operação da policia federal Castelo de areia pela participação em financiamentos não declarados dos partidos que defendem o projeto de revitalização do cais do porto (http://noticias.uol.com.br/politica/2009/03/25/ult5773u890.jhtm) , nomeadamente PSDB, PMDB, DEM, PP, PPS, PSB e PDT. Esta empreiteira é a mesma envolvida no buraco do metro de São Paulo, estação pinheiros, que afundou tragando vidas e casas. Qual a segurança que temos sobre os compromissos de nossos vereadores, da governadora e do prefeito com os interesses do bem comum, tendo a Camargo Correa por trás? Qual o grau de qualidade de um empresa que produz uma cratera para fazer um edifício flutuante? Não há o risco de desmoronar o porto e tragar a rodoviária, o gasômetro?

Há uma pesquisa referida em ZH de 5/9/9 mosntrando ampla aprovação

A reportagem mostrando pesquisa com 80% de aprovação ao projeto, não cita quem financia a pesquisa. Não fala o nome dos responsáveis pela sua realização, quantas pessoas foram escutadas, qual o desvio padrão. Curiosamente, se colocarmos no google  as palavras "CEPA", "UFRGS" (entidades referidaas como agentes da pesquisa) e "CAis", ou qualquer outra palavra chave sobre o cais maua, não há qualquer referência a esta pesquisa (salvo a matéria da Zero Hora). Seguramente o sr Maicon Bock, reporter de ZH,  plantou um factóide imaginário, que não teve qualquer divulgação além da sua matéria, simplesmente pois nunca existiu. Evidentemente que - como no caso do pontal- os infográficos e maquetes estão fora de escala, mostrando um cenário de cinema, que contudo nada guardam de conexão com o real, sendo uma peça de publicidade mentirosa: mentirosa pois a pesquisa é falsa, mentirosa pois os desenhos contam dimensões e escalas muito mais gentis que as da realidade. No caso desta matéria, nem o desenho dos prédios privados sobre o desenho do cais foi vinculado, mostrando um certo pudor dos propagandistas do projeto em ao menos no desenho simular a aberração que desejam vender.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Quem precisa do privado? Quem precisa do público? O que é parceria?



Quem precisa do privado? NA parceria público privada para revitalização do cais do porto, parece óbvio que a parte “privada” da coisa (um hotel, um shoping, um estacionamento e duas torres de escritório, tudo dentro do rio) compete com a parte “pública” (um passeio, ou marina pública)do projeto. O ponto é que a parte pública esta praticamente pronta: faltaria iluminação, alguns bancos e dois coqueiros, além da abertura para o povo usar o cais. Faltaria segurança privada. O que falta, portanto, para o uso público da região é muito pouco, algo barato. Simplesmente a área pode ser revitalizada sem custo significativo, para o uso público. O custo de dois bancos e um poste de luz na área é um oitavo do ordenado de um cc da câmara de vereadores em um ano. Simplesmente, nós, o “público”, não precisamos de parceiros privados. Se a prefeitura se nega a prover estes equipamentos, a Pepsi cola paga, nós do povo fazemos uma vaquinha e pagamos.




Essa parceria público-privada serve apenas a iniciativa privada. Imagina como o privado deve sentir que nós, o público, somos “muy parceiros”, ao presentear assim, sem custo algum, terrenos dentro da orla, no centro, grátis. Quem não adoraria um “parceiro” comercial imbecil assim? Quem não gostaria de fazer uso privado de uma área pública? Nós- o público- abriríamos mão da área do cais para fazer uma praia (como em Paris, no rio Sena), uma marina pública, um parque.


A palavra “parceria” não é adequada, pois não cabem na mesma área o uso público (passeio) e o uso privado (Um shoping, duas torres de escritório e um hotel, alem do estacionamento). Os dois usos competem, como competiria dentro da redenção- ou do parcão- um hotel , duas torres e um shoping. O problema da parceria público privada no caso do cais, é que é uma boa solução para um falso problema: a iniciativa privada tomar para si os custos da urbanização (ganhando algo em troca para seu uso privado, óbvio) é um alivio para as contas públicas, é uma boa idéia. Contudo, no caso do cais, não estão previstos custos para o uso público da orla. Esta tudo lá: a monumentalidade do rio, o basalto do passeio, até o local para estacionar já nos foi dado pelos nosso avós. Não há o que precisemos pedir para a iniciativa privada “revitalizar”, pois tudo esta bem vivo ali. Apenas não é visitado pois é proibido, esta fechado. Quando aberto (bienal, feira do livro) é bem vivo o local, e público. Portanto só a quem interessa a parceria, é ao privado.


E obviamente que a parceria interessa a alguns políticos da câmara, que são representantes legitimamente eleitos dos interesses das empreiteiras, dos donos de shopings, de estacionamentos e de torres de escritórios. Fica evidente que no conflito entre manter a área pública para o uso da população ou entregar para a vigarice privada construir espigões, o papel do prefeito Fogaça deva ser uma olímpica neutralidade, acima de qualquer posicionamento, pois obviamente o papel do prefeito é não ter qualquer opinião pessoal, é estar acima e indiferente a disputa população X empreiteiras. Como no episódio do Estaleiro Só, o prefeito deve declarar que seu papel é não tomar posição na contenda, pois não seria papel do prefeito tomar partido contra o cercamento de áreas públicas pela iniciativa privada. E em menos de 12 meses estará ele precisando do voto da população, em campanha paga pela iniciativa privada.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A monumentalidade X a revitalização

Florianópolis- calçadão beira mar
Sevilha-Rio Guadalquivir

PARIS-Rio Sena


Porto Alegre 2016: TORRE FOGAÇA SUL/ TORRE YEDA NORTE



O cais do porto, tem um monumentalidade que poderia ser nosso diferencial para o turismo. Porto Alegre tem, no cais, um local de enorme valor bruto para ser explorado para fins de atrair turistas. E não apenas no cais dos armazéns, o cais central. Também a região que vai da ponte do Guaíba até a rodoviária, hoje meio aproveitada para alguma pequena e insignificante atividade portuária de pouco valor econômico. Em toda esta área, apenas um largo, uma calçada tornariam a região quase como avenida Beira-mar de Florianópolis, seria como o calçadão de Copacabana, como a praia artificial do rio Sena em Paris, como a alameda de laranjeiras ao lado do rio Guadalquivir. A vista da cidade é impactante. Dá para fazer da ponte do Guaíba até o Gasômetro um imenso passeio apenas com coqueiros, uns poucos restaurantes e uma vista de atrair visitantes de outros lugares.
O custo do projeto é quase nenhum, pois apenas é preciso remover algumas pombas, uns navios abandonados e duas ou três desapropriações. O significado como local de atração turística pode ser enorme. A vista é um impacto por si. Ganha a cidade seja no uso, seja na atração de turistas.
Infelizmente os políticos atuais não pensaram em um cais assim público e bonito. Gestam um negócio de entrega da área para construção de um hotel de luxo ao lado do gasômetro e duas enormes torres de escritórios na beira do rio, na altura da rodoviária. Um desperdício de oportunidade de usar a região para um passeio público. Infelizmente a cobiça dos vereadores e da prefeitura pela propina privada deseja roubar a região da população, e ainda por escárnio, denomina o negócio todo de “revitalização”. Revitalização só se for da conta bancária dos digníssimos vendilhões. Da para defender a orla também neste ponto?

sábado, 23 de maio de 2009

Cesse tudo que a tilitante máquina registradora cante


Hotel de luxo, fábrica de azeitonas, shoping envidraçado, torre de escritórios: não faltará em Porto Alegre local para essas iniciativas, mas no Cais da Mauá não. Não é a vocação da área. Cesse tudo que a tilitante máquina registradora cante: os vendilhões do cais que nos dêem licença, mas não vai dar. Achem outra área para suas aspirações comerciais. O cais tem uma magnífica monumentalidade que não pode estar a serviço de um uso privado, mesmo que seja “só” por 50 anos: precisamos do espaço para passear com os turistas, para andar de bicicleta, para estar a sombra de uma alameda longa de centenas de laranjeiras. Ali queremos piscinas públicas para tomar sol. Queremos a área para os portoalegrenses, não para oligopólios financistas espanhóis. Somos do Movimento por um Cais Exclusivamente Cultural: vamos fazer ali uma concha acústica para a Ospa, um centro de convenções (como já é hoje em dia), um passeio público.

Os plutocratas que defendem a entrega da área para o capital privado, argumentam que há uma incapacidade do poder público de cuidar de praças e áreas coletivas, e que estas andam abandonadas, perigosas, “desvitalizadas”. Em seus sites específicos, apresentam fotos escolhidas de ângulos horríveis da região do Marinha do Brasil. Pois a realidade não lhes dá razão: o trecho entre o gasômetro e o anfiteatro pôr do sol, mesmo durante a semana, é um sucesso de uso, de segurança e sobretudo, é público. É portanto uma área (contígua ao da área do cais) com um uso para lá de “vitalizado”, ou seja, com muitas pessoas. E destacamos que a área não apresenta nem ao menos um shoping, nem nenhum restaurante de gabarito.

Na verdade a área no entorno do gasômetro hoje é usada pelo povo, pelas pessoas mais pobres. O que eventualmente a plutocracia municipal deseja propondo este projeto raro dos espigões de escritórios e hotéis de luxo é afastar o pessoal mais pobre. O que não esta literalmente dito no projeto seria então, não uma “revitalização”, e sim uma “desvitalização”, retirar as vidas mais pobres (e em maior número) para erigir a “nova calçada da fama”, de uso preferencial para alguns poucos da elite (projeto “menos muvuca,mais botas brancas”). Calçada da fama, roupagem de marinheiro. Íamos adorar vr o Sr Políbio Braga em trajinho de marinheiro, bebericando um campari no terraço do hotel Hilton, mas infelizmente não vai dar: uma outra revitalização é possível. Uma que seja mais republicana, menos imoral e menos elitista. Não a privatização do pôr do sol!

domingo, 17 de maio de 2009

Patíbulo Pùblico Privado: revitalização só se for do Frankenstein


As palavras ainda devem ter qualquer conexão com seu sentido. Quando empregamos o termo “parceria público-privada” (PPP), pela palavra “parceria” estamos procurando denotar cooperação. Queremos dizer que o público, e o privado farão uma obra e serão parceiros, entendendo que há algo em comum no interesse dos dois naquele empreendimento. Se tomarmos uma expressão análoga- parceiros sexuais- entendemos bem o clima de mútuo interesse e consentimento, mútua satisfação e cooperação que deveria existir quando o que queremos significar é a “parceria” em algo. Os dois ganham, só há entendimento e ganho equivalente nos dois lados.

Essa noção de entendimento não esta bem clara na PPP do Cais da Mauá. Se temos atualmente ali um espaço que até aqui é público, pois pertence a Marinha do Brasil, e vamos ceder em comodato por 50 anos para a iniciativa privada parte (ou todo) o espaço, o “público” no caso é apenas o gesto generoso de doação. O que o privado aporta para a sociedade neste caso? Sabemos o que o privado aporta para si no projeto: farão imensos prédios em estilo BNH, boiando, torres gêmeas dentro d´água, hotéis do mais alto gabarito. Mas sendo detalhista, o que o público, no caso nós, ganhamos com semelhante “parceria”? Ao doar para o “privado” a área, o público faz sua parte na parceria. O que o privado faz – não para si, para seu ganho- mas para o público, que vá merecer o nome “parceria”?


Acaso a comissão de diversos gestores públicos que faz dois anos estuda o projeto, poderia fazer a amabilidade de divulgar qual a contrapartida dos que recebem a área? Pois se pensarmos em uma estrada, sabemos bem o que o empresa que recebe a via tem (ou teria, sendo mais realista) que trazer em troca da concessão: mais alargamentos, mais pistas duplas, manutenção, ambulâncias.

Os agraciados com um terreno no centro de Porto Alegre, dentro do Guaíba, o que terão que devolver como contrapartida por 50 anos deste privilégio? Acho que este ponto ainda não foi bem detalhado, penso mesmo que é um curioso “esquecimento” da comissão de criação deste Frankenstein jurídico, paisagístico, ético denominado “projeto cais do porto”. Revitalização só se for do Frankenstein!

Acho que é um negócio. Portanto pode ser interessante comercialmente: a população de Porto Alegre abre mão dos terrenos pra lá de privilegiados, que seguramente terão um valor de mercado. Uma firma pode nos dizer quanto valem os “imóveis” que a comissão pressurosamente planejaria entregar para o José Richa e para a Camargo Correa. Pensando em um aluguel de 50 anos, chegaríamos a uma babilônia de dinheiro, o preço que nós, atuais donos do pedaço, vamos por para vender. Então ai teríamos que ver como ratear o dinheiro entre o povo, os atuais donos: seria um bom tipo de “parceria”. Outro seria os agraciados com o mimo da comissão- os enormes terrenos no cais- construírem doze hospitais para 300 pacientes cada, e gerirem por 50 anos. Acho que fica no preço, taco à taco. Mas para ser “parceria”, mesmo, temos que saber qual a obra que o privado vai se compromete. Do jeito que esta delineado, contudo, francamente! Não é parceria, é rapina. Seqüestro, com o conluio dos gestores da coisa pública. Os gestores da coisa pública estão gestando a coisa privada, o que é uma parceria com o Demo. Eu tenho o projeto necessário para a área: um patíbulo! E no futuro uma gilhotina: precisamos cortar o mal pela raiz, teremos clientes públicos e privados para o PPP: Patíbulo Público e Privado! Pela revitalização da Maria Antonieta, pela revitalização do Frankenstein! O uso do patíbulo será privado, mas o público poderá (pagando entrada) frequentar a região. Não sei se teremos defensores na câmara de vereadores, mas não deixa de ser um tipo de “revitalização”, a revitalização pela degola. Eu sou parceiro.

domingo, 10 de maio de 2009

Para o turista estrangeiro o Rio de Janeiro é melhor que Porto Alegre: o estudo de caso do calçadão de Copacabana e do Cais da Mauá.


O Hotel Copacana Palace é um primor! Além do prédio ser bonito, esta defronte da praia de Copacabana. Diante dele está o calçadão de Copacabana, desenhado por Burle Marx, nos anos 1970, quando da “revitalização” da avenida Atlântica”. O calçadão se alonga por diversos Km, deve ter uns 500 metros de largura, é feito em pedra portuguesa com um desenho suave, que convida a refletir sobre a ondulação do mar. Entre o calçadão e o hotel estão as diversas pistas da avenida Atlântica (também ela desenhada por Burle Marx), e obviamente que entre o calçadão e o mar está a areia da praia. O hotel é bonito, mas o entorno torna tudo mais suave, o hotel em sua imponência esta bem posicionado com a imponência do entorno. Tudo é monumental, o prédio e a urbanização defronte do prédio.

Portanto o hotel Copacabana Palace não esta boiando dentro do oceano, sobre palafitas. Não esta na areia da praia, antes da calçada. Não temos um trecho de calçada, com hotéis semeados no meio da calçada, pois interromperia a caminhada, o passeio, a reflexão, a monumentalidade visual da praia.
Em Porto Alegre, o principal problema estético do projeto do Cais do Porto é que os espigões de hotéis e escritórios estariam dentro do rio, antes do passeio público, ou entre o passeio público e a atração, o rio. Os prédios deixariam algum eventual visitante sem ver o rio, sem tomar sol (salvo ao meio dia) Algo seguramente inédito no mundo. E o arquiteto que desenhou o projeto não é do escritório de Burle Marx, mas sim um cacique da política, do PMDB.

Acreditamos que semelhante projeto não vai embelezar a região. Na verdade, embelezar a região é complexo, pois os prédios que já estão na Mauá são feios, o trem ali é outro fator de enfeiamento, mas ainda há o que está atrás do muro, que pode ser trabalhado para ser um local bonito para levar turistas. Se desejamos atrair turistas, o grau de complexidade do projeto urbanístico pede cautela. Pede competência profissional, pede muita arte. O projeto que aí está - pelo amor de Deus-, é pura cobiça mercantilista sem qualquer qualidade, muito menos monumentalidade. É um desesperado “apropriar-se” por particulares (com o “suspeito” e inusual entusiasmo de alguns gestores públicos) de um local com uma vista, mas destruindo a beleza do local. Portanto é um projeto que na sua cobiça é destrutivo para si mesmo, um chamado tiro no pé: se a construtora Maguefa de hoje fizer ali setenta prédios de luxo, o local vai ficar tão desinteressante para o consumidor do produto (hotel ou escritório), que provavelmente continue degradado. E o aproveitamento para o turista será nulo, o aproveitamento para o luxo também será nulo, pois o local não será nenhum calçadão de Copacabana, portanto o nosso Hilton nunca será um Copacabana Palace.

Hoje Porto Alegre não tem relevo no circuito turístico brasileiro. Somos, segundo dados da Embratur de 2003, o sétimo destino de turistas internacionais do pais. Ficamos depois de Búzios e de Foz do Iguaçu. Você já se perguntou o por que ninguém nos visita? Por que não temos locais bonitos. A iniciativa pública tem que construí-los, como fez o Colares com a avenida que passa dentro do Parque Marinha. Como fez o PT ao tiras as bibocas da praia de Ipanema. Temos 5% do movimento dos turistas internacionais. O Rio de Janeiro, seguramente como conseqüência de trabalhos semeados no passado, como o calçadão de Copacabana feito na década de 1970, recebe quase 50% desses turistas, é o primeiro destino. Sempre que a mídia nos brinde com algum projeto de “revitalização” do cais Mauá, devemos em primeiro lugar nos perguntar: Essa idéia vai contribuir para nos tirar do 5% e aumentar a indústria de turismo em Porto Alegre? O atual projeto do Cais vai apenas nos afundar para a vigésima posição.

O projeto que aí esta seguramente não ajudaria. Por destruir o paisagismo do local, por simplesmente dar para a iniciativa privada as áreas, por não propor coisa alguma pública (nem teatro para a Ospa, nem Museu de Arte Moderna, nem passeio público, nem praia coletiva como os parisienses organizaram na beira do Sena), e por sugerir que o que é nossa “esperança” –como outro dia dizia um articulista da Zero Hora- é construir na área prédios privados e de luxo, o projeto é apenas uma rapina de uma quadrilha de construtores. Podemos chamá-lo de projeto Dubai, devido aquela parte dos hotéis flutuantes, mas não podemos chama-lo de um projeto inteligente para atrair turismo, pois é muito feio. E esperança nós temos que Porto Alegre deixe de ter apenas um jornal.

Precisamos um projeto que tenha mais monumentalidade, como o projeto do calçadão de Copacabana, que tenha mais ênfase em cultura, como o projeto da feira do livro na região, como o projeto do Museu de arte Contemporânea. Não precisamos de um projeto apenas comprometido com o lucro de algumas cadeias de hotéis de luxo. Portanto mais cultura e menos lucro. O projeto Mauá-Dubai não passará (Como diria La Passionara)! Se a nossa geração não tem uma idéia boa para o local, deixemos a região para a próxima geração pensar em algo melhor. Somos de uma geração que tem uma camarilha de gestores, que seguramente não vão ser tão ruins na próxima geração. Mas entregar para o PMDB fisiologista do Sr Jaime Lerner destruir, não vai dar. Todos contra o projeto Mauá-Dubai! Fogaça e Yeda, não precisamos de mais sustos, já tivemos o bastante.

Perguntas Impertinentes (mas nem tanto) aos gestores do projeto Mauá-Dubai



1- Os moradores da vila Cai-Cai (aquela que ficava defronte ao museu do Ibere), vão receber reintegração de posse? Foram removidos os moradores dali pois em área pública, de preservação, de interesse coletivo, etc... ninguém pode ter moradia. Menos de 10 anos depois, tem o pontal do Estaleiro, tem gente querendo fazer prédio na área do Cais da Mauá, tem prédios gigantes junto ao estádio da Beira-Rio, tudo privado. Pela justiça, temos que dar reintegração de posse para os vileiros despejados. Ou então reservar cotas de estadia no imenso Hotel Hilton ao lado da Usina do Gasômetro, cotas para os antigos vileiros no hotel Hilton. Encontra-se na internet uma foto de despejados protestando contra essa remoção da vila Cai-cai.

2- O bar Timbuca foi removido da vila Assumpção, pois ficava na calçada, sobre o passeio. Também era uma agressão ao coletivo. Agora, com o projeto dos gestores, vão convidar o ex-dono do ex-Timbuca para ser ecônomo do restaurante do hotel Hilton (esse plantado no meio do passeio)? E não esquecer os donos das diversas biroscas removidas (em boa hora, Ipanema sim foi devidamente “revitalizada”) da praia de Ipanema, todos devem receber uma sala nas torres gêmeas defronte da rodoviária.

3- Se o cais em parte, ou no todo, (sei lá: os detalhes do projeto são curiosamente secretos, se é que alguém acredita que uma comissão pública pode fazer uma comissão secreta sobre o destino de uma área pública) será privatizado, haverá indenização para os portoalegrenses? Se o negócio tem essa agressão toda, tem estudo de impacto ambiental? O ministério público vai obrigar as construtoras a fazer um passeio público de 12 Km ao longo do rio dos Sinos para compensar a agressividade social e ambiental dessa projeto Dubai?

4- Se o que hoje é aberto e público vai mesmo ser privatizado, há algum plano de cobrar pedágio para as famílias passearem por ali ? Sabemos o quanto so gestores gostam de pedágios, é um risco não desprezível. É verdade que já há uma discussão com a transvia para cobrar R$7,5 por turista, tudo para manutenção da área?

5- Se as construtoras lembradas pelos políticos para fazer a obra, são as mesmas do malfadado metro de São Paulo e do acidente (negligente) com a estação Pinheiro, temos algum risco do mercado público ser tragado por uma imensa cratera? Não esta no meio da rapina também aquela construtora expulsa do Equador pelo fato de uma hidroelétrica nova estar rachando?

6- Qual o argumento que nos convence que devemos entregar o cais para o poder privado? Não temos suficientes habilidades coletivas para fazer um projeto ali? Não temos o que fazer ali? Não somos uma cidade devidamente criativa para ocupar o local? O que a iniciativa privada tem, que a coletividade dos habitantes de Porto Alegre não tem, para merecerem mais o direito de uso e arrendamento por 50 anos da região? O Dado Bier, o Jaime Lerner, O Hotel Hilton ou a construtora Camargo Correa (ou Odebrech, sei lá) é melhor que nós para nos tomar a área?

7- Além de levarem o butim dos terrenos para lá de bem posicionados, o que os agraciados privados com a área deverão dar em troca para os habitantes que lhe doarão a área? Suponho que farão e cuidarão de dois hospitais de pronto socorro para 400 leitos de emergência por 150 anos, para mantermos o mesmo patamar de custos/benefício.

8- Para que(m) serve o nosso pôr-do-sol?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Entregar o Cais da Mauá para a rede Hilton é o mesmo que lotear o Parcão




O governador Jaime Lerner, cacique do PMDB (base da governadora Yeda), não é um urbanista renomado, nem tarimbado. Sua firma de urbanismo tem um projeto feio para o cais de Porto Alegre, agressivo esteticamente, com torres flutuantes, que não abre espaço para cultura. Precisamos de urbanistas melhores, idéias melhores. Precisamos de uma firma internacionalemte confirmada para fazer este projeto.

Os projetos de Museu de arte moderna (MAC), bienal e feira do livro são mais de uso da população que dois hotéis de luxo. Até mesmo para o turismo, o melhor não é fazer prédios, muito menos prédios privados, menos ainda prédios flutuantes no estilo DUBAI. O melhor seria um oceanário, uma alameda de passeio, um negócio aberto, até um píer. Poderia ter praia artificial, se fosse feito uma elevação do nível do fundo do cais, fazendo largas piscinas públicas. Restaurantes+ passeio é uma excelente idéia. Um projeto que venha da ponte do Guaiba até o gasometro.

Mas essa “entrega” de um dos espaços mais bonitos da cidade para a rede de hotéis Hilton e Softel, é um acinte a lei, que reserva áreas de orla para uso público e cultural. É um acinte ao bom gosto, os prédios são feios, não vão trazer turistas. E sobretudo é um acinte ao bom senso: privatizar para o uso de dois hospedes da rede Hilton a área, deixando a população do lado de cá do muro, é agressivo. É o mesmo que lotear o Parcão para fazer um condomínio fechado: pode ser mais seguro e dar menos custo para o estado. Mas é imoral!

O projeto de Barcelona e de Buenos Aires não tem - que se saiba- torres privadas flutuantes no meio do caminho.

Senhores gestores, achamos que o cais é público, não esta à venda. O muro da vergonha esta ainda mais ruborizado com essa deste gestores.

Faça sua camiseta e junte-se ao movimento "que vergonha"

Estamos fundando o movimento "o muro é nosso, a vergonha é do gestor público" com objetivo de defender a área do cais Mauá da cobiça dos grandes hotéis, que planejam tornar a beira do rio um espaço privado da rede Hilton e da rede Softel. Lembra da feira do livro infantil, da bienal e do projeto de fazer ali o Museu de Arte Contemporânea? Pois esqueça, o plano Yeda é privatizar e deixar o povo do lado de cá do muro, um muro ainda mais ruborizado de vergonha. Há uma disputa sobre a área, a disputa é simples: a área será pública (ou seja do eleitor) ou privada (da rede Hilton)?

Faça uma camiseta ou cartaz com as frases "um muro ainda mais ruborizado de vergonha", ou então a camiseta "Yeda, sua cara é um muro sem vergonha", ou então "Fogaça, no Porto Madero não tem hotel sendo dono da área pública" e venha defender o conceito de urbanizar a região e fazer dali um espaço "público"!

Vamos fazer uma orla para o turista, aberta, com um museu de arte contemorÂnea. VAmos contratar um urbanista europeu qualquer para fazer um espaço de beleza, mas vender?! Os gestores não poderiam gestar algo mais imoral e sobretudo feio, em termos de paisagismo. Duas torres boiando dentro d´agua, é muito Dubai para nosso meio... Nenhum turista europeu vai vir do seu continente para ver um hotel Hilton. Viria se fizessem uma alameda de laranjeiras (pública), como é em Sevilha na beira do Guadalquivir, ou do Sena em Paris. Nesse caso o gestor pariu um aberração de aborto, um lobisomen! Vamos salvar a cidade do mau gosto da Yeda/Fogaça.

Cais Mauá à venda

Cais Mauá á venda, segue um muro de vergonha para Yeda.
Existe uma onda de projetos da construção civil na orla central do Guaíba, nomeadamente 12 prédios da região da rodoviária até a novo Shoping Barra. Cada Shoping planeja uma torre, o clube internacional duas, o malfadado projeto pontal cinco ou seis e agora somos informados que duas torres dentro d´água (no melhor estilo Dubai), atrás do muro da Mauá, são sonhos da governadora e do prefeito. Esta torres seriam de hotéis de luxo, para abrigar a demanda da Copa.


O ponto central do problema, não parece ser ecológico. O centro da cidade é tomado de torres, e mais uma ou menos uma não faria diferença. OS pontos são estéticos e morais. Não parece bonito usar a orla para a iniciativa privada. Ninguém quer o parque Marinha com cara de CAmboriu. Como um turista poderia passear pela orla se ali esta o hotel Softel ou Hilton? A questão do público e privado se impõe.
Ou a sociedade empurra seus gestores contra o capital que propõe privatizar estes espaços, ou eles deixarão de ser públicos. Pense na feira do livro, pense no museu de arte contemporânea, pense na bienal. Pois bem, agora esqueça: o cais da Mauá será vendido para a Softel, com o alegre conluio de gestores municipais e principalmente estaduais. Para a população de Porto Alegre não ficará uma área pública, e sim no máximo uma minarete pequeno, para cinco ou seis pessoas tirarem uma foto.

Sob o pretexto da Copa, querem vender locais públicos para a iniciativa privada. O argumento de que colocar dinheiro público para criar e manter algo na região do cais não seria possível nem correto é balela. Deixando a região como está, e colocando dois bancos, é mais do interesse público que fazer um lindo jardim particular para os executivos da Odebrech jogarem golf. A discussão é entre público (ou seja, dos eleitores) ou do privado (ou seja da rede de hotéis Hilton). E o patético é ver os gestores perfilados contra o público, e pelo privado!

Há uma comissão de políticos estudando como fazer – quais a brechas jurídicas que existiriam- para ir contra a constituição, que evidentemente proíbe tanto a rifa de locais públicos, quanto a inicitiva privada em locais de beira de rio. Pois uma comissão paga com dinheiro público, estuda maneiras jurídicas de tungar o povo de Porto Alegre! Isso não é golpe? (políticos comissionados pelo capital vendo como tirar do publico áreas e entregar a rede Hilton, para arrepio da constituição). É para isso que elegemos “nossos” representantes, para eles nos tirarem lindas áreas públicas, deixarem de fazer o Museu de arte contemporânea e entregarem tudo para o Dado Bier?

A região que vai da rodoviária até o gasômetro, ou mesmo a que vai da ponte do Guaíba até o gasômetro, precisa ser urbanizada por uma firma internacional de urbanismo, na forma de um parque público. Porto Alegre não precisa de mais áreas privadas e sim de novas áreas públicas, que são mínimas. Pode ser um parque permeado de restaurantes, mas nunca de hotéis flutuantes. Da licença gestores, mas não deixaremos vocês "gestarem" uma maracutaia dessas. Campanha "O muro da vergonha é nosso!" E o muro da vergonha está mais ruborizado que nunca! Gestores, privatizem a cara de pau, mas não a orla do Guaíba
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